Opinião

O azar de Eduardo Cabrita

O azar de Eduardo Cabrita

Provavelmente farto de críticas sopradas de todos os quadrantes, até de vozes do interior do Partido Socialista, Eduardo Cabrita resolveu juntar-se a António Costa, que nos elogios ao ministro da Administração Interna estava tão só como náufrago em ilha deserta.

Tratou-se, portanto, de um autoelogio, não deixando ainda assim de ser interessante, na perspetiva do próprio, uma vez que, de uma hora para a outra, passou a ter o dobro das pessoas a elogiá-lo. Numa altura tão turbulenta, é de considerar que Eduardo Cabrita esteja bastante satisfeito face a este aumento de 100% no número de admiradores.

A apologia aos bons resultados dos segmentos do Estado tutelados por Eduardo Cabrita foi feita no Parlamento. E suscitou, basicamente, dois tipos de reação, de um lado silêncio, do outro indignação. O ministro destacou os bons números, por exemplo, em termos de sinistralidade e criminalidade, ao longo do último ano. Um mimo.

O problema é que, além de falta de jeito para o cargo, também tem algum azar. É que os portugueses passaram a ser mais cuidadosos na estrada logo no ano em que passaram a movimentar-se menos, devido ao confinamento. A pandemia não deu jeito a ninguém, é verdade, mas a Eduardo Cabrita acaba por tocar de forma mais severa. Logo agora. É preciso muito azar, realmente.

O episódio da semana passada, na Assembleia da República, teria piada se não fosse triste. Atuações como esta no palco parlamentar só contribuem para minar a relação entre eleitores e eleitos, descredibilizando ainda mais a atividade política.

No contexto actual, aquele tipo de argumentação é inadmissível. Nem sequer é preciso consultar estudos para se perceber o que está em causa. Ou então, Eduardo Cabrita desconfia da capacidade cognitiva dos portugueses. Não acredito, mas, lá está, com o ministro da Administração Interna em cena, nada me surpreende.

*Chefe de redação

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