O Jogo ao Vivo

Opinião

O paciente português

Com o campeonato ao rubro e a discussão do título, lugares de acesso às provas europeias e luta pela despromoção em aberto, estas deviam ser semanas empolgantes em termos de atualidade desportiva.

Como estamos em Portugal, só quem tiver acordado de um profundo sono de décadas se admirará com o facto de a discussão ser alimentada pelo que de pior o desporto pode oferecer. Agressões fora do campo - as claques dos rivais de Lisboa juntaram-se ontem à triste celebração de um futebol doente - e clubes a puxar pelos piores argumentos para justificar a frustração. A decadência de sempre, anos após ano.

A tendência para justificar o insucesso com os podres alheios não só está velha e gasta como parece indicar uma drama maior do que a cegueira, visto que só pode haver um campeão. Para sair dos cuidados intensivos, o futebol precisa, pois, de uma abordagem diferente, de uma renovação nos protagonistas, de dirigentes que, velhos ou novos, rompam com a tradição portuguesa de amesquinhar o mérito, encontram-lhe mil e um defeitos sempre que o êxito não está do nosso lado.

Compete à Federação Portuguesa de Futebol e à Liga de Clubes encontrarem mecanismos que permitam travar de uma vez por todas a escalada deste tipo de guerras sem sentido. Ninguém pode ser amordaçado, mas se o discurso e a forma estão nos antípodas daquilo que deve ser o exemplo deixado pelo desporto à sociedade, as punições têm de ser eficazes, de uma vez por todas.

O problema, bem sei, não se resume a isto. A discussão também deve incidir sobre a qualidade dos árbitros, cujo trabalho, efetivamente, tira um santo do sério. Mas sejamos claros: mesmo colocando a tónica na necessidade de melhorar o setor, o discurso de quem é campeão é sempre mais suave em relação a arbitrgens. E não será por ter menos ou mais razões de queixa, é mesmo porque o campeão não tem necessidade de encontrar justificações para a derrota.

*Chefe de Redação

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