Opinião

O silêncio é de ouro e de Costa

O silêncio é de ouro e de Costa

A dois meses das legislativas, o silêncio tem sido o melhor amigo do Partido Socialista. António Costa há de reaparecer hoje para animar a bancada rosa do Parlamento e terá uma semana bastante ocupada até ao dia do anúncio daquilo que todos sabemos: novas medidas de combate à pandemia, coisas tão básicas e necessárias como distanciamento, uso de máscara, aceleração da testagem e uma solução milagrosa de task force 2 da vacinação, este sim, um grande problema, atendendo à quantidade de pessoas que é necessário vacinar em tempo recorde com a terceira dose - a segunda, no caso daqueles que tomaram o fármaco da Janssen.

Nem é preciso olhar para as sondagens para perceber os tempos correm de feição ao líder do PS. Basta estar atento à concorrência. Da Esquerda mais à esquerda à Direita, todos os partidos têm boas razões para encarar o futuro com apreensão. A disputa entre Rui Rio e Rangel no PSD é gatilho de rajadas em série nos pés; o CDS agoniza a caminho da extrema unção e até no Bloco de Esquerda começam a circular incómodas listas de candidatos a deputados fora da esfera da Direção, o que é tudo menos sinal de união; o PCP, depois de ter ajudado a quebrar os últimos laços da geringonça que deixou passar orçamentos do PS em série, voltou à rua nos protestos de sábado, mas até isso poderá ajudar Costa, uma vez que há sempre o perigo de potenciais eleitores comunistas pensarem "que diabo, por onde terão andado este tempo todo, desde 2015?".

Não admira, pois, que António Costa entenda que o silêncio é a alma do negócio, deixando o desgaste para os adversários. Pelo menos até ao dia em que a campanha arrancar a sério, a seguir ao Natal. É que, avaliando o que se passou na aproximação às autárquicas, com António Costa a falar aos eleitores, os perigos estarão de volta à estrada, uma vez que prometer tudo e a todos pode trazer amargos de boca inesperados no dia das eleições.

Chefe de Redação

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