Opinião

#ogénio

Enquanto CR7 seduzia com golos em Madrid, o nosso Ronaldo das Finanças cativava em Portugal. Claro que o verbo tem um duplo sentido. Se por um lado os gurus da alta finança aplaudem freneticamente a estratégia e o êxito de Mário Centeno, o mesmo não se aplica aos fornecedores dos hospitais, que não podem bater palmas porque têm as mãos ocupadas, provavelmente atulhadas em faturas por receber. O problema da falta de liquidez dos hospitais não é novo, nem a responsabilidade pode ser imputada unicamente a este Governo. Não fosse grave, a forma com o ministro das Finanças resolveu a situação até seria motivo para uma boa gargalhada. Como ontem escreveu o JN, Centeno deu o aval à transferência de 500 milhões de euros, a verba chegou às contas bancárias da gestão hospitalar, mas logo as Finanças proibiram a utilização do dinheiro, até novas ordens. Esta inovadora forma de pagamento encerra alguma genialidade, tenho de admitir. Na prática, os hospitais, que andam sempre a tinir, ficam ricos. E o dinheiro nunca deixa de estar na posse do Estado. Um dois em um perfeito em termos contabilísticos. A chatice de existiram empresas a trabalhar com o Serviço Nacional de Saúde a atrasar o pagamento dos ordenados aos funcionários é que não estava nos planos, o que transforma a jogada do Ronaldo das Finanças num falhanço de baliza aberta.

* JORNALISTA

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