Opinião

Responsabilizar os árbitros

Responsabilizar os árbitros

A magia do futebol vai muito além dos golos bonitos e das fintas mirabolantes. O jogo está cheio de episódios de contornos épicos, como aquela versão do "Patinho feio" contada na relva do Stade de France, onde Éder escalou até ao trono dos deuses, assinando o golo que permitiu a Portugal vencer a França na final do Euro 2016.

A noite de sábado, no Estádio do Dragão, esteve no limiar de uma narrativa perfeita. Com o F. C. Porto em desvantagem frente ao rival Boavista, o filho de Sérgio Conceição, Francisco, estreou-se pela formação principal dos azuis e brancos e incendiou o jogo. Conquistou um penálti, construiu o golo que seria da vitória e festejou-o abraçado ao pai, em lágrimas. Na perspetiva portista, claro está, teria sido um final perfeito. Só que o VAR viu, e bem, mão de Evanilson na jogada. Esfumou-se a história bonita, mas prevaleceu a verdade, que é o mais importante, até porque do outro lado estava uma equipa axadrezada que merece o mesmo respeito e, por sinal, até tem tido pouca sorte com as arbitragens.

A decisão de Manuel Mota, após ver as imagens no terreno, só pode justificar crédito. Descontando o ruído, ninguém a contesta. É para isso que serve o videoárbitro, apesar de ser impossível ficar indiferente à derrocada da emoção.

O problema é quando, como temos assistido, em vez de cumprir a missão de esclarecer, a tecnologia funciona como muleta para estragar. A decisão de Luís Godinho, que expulsou Luis Díaz em Braga na sequência daquele lance infeliz para David Carmo, é tudo o que não deveríamos ver nos estádios. Uma vergonha, a negação do futebol, a derrocada do edifício que os responsáveis da arbitragem tentam construir.

Nenhum plano para melhorar a qualidade das arbitragens, com investimento em formação e compensação financeira dos próprios juízes, resiste a momentos como aquele, em que um jogador é expulso por rematar à baliza, sem cometer qualquer infração.

A interpretação deficiente das regras deveria ter consequências. Se o Conselho de Arbitragem quiser manter o rigor e transformar um momento triste num caso exemplar de responsabilização, Luís Godinho não arbitrará mais jogos da Liga durante a época em curso.

Chefe de Redação

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