Opinião

#salvaçãonoesgoto

Nenhuma profissão foi tão valorizada nas últimas décadas como a de canalizador. Esta atividade debate-se com falta de mão-de-obra e é cada vez mais bem paga, embora não seja por isso que, de repente, adquiriu uma importância desmedida. Há 20 anos, o canalizador só aparecia quando havia problemas à séria na cozinha ou na casa de banho. Dias felizes, para estes profissionais, quase só nos filmes, onde vestiram abundantemente a pele de macho latino. Quem nunca se deparou com uma cena em que o canalizador seduz uma dona de casa roliça, ou vice-versa? A realidade mudou. E mudou tanto que, agora, um tipo precisa de dominar esta arte para ser, por exemplo, político ou titular de um cargo público. É frequente ouvirmos governantes dizer coisas como "vamos canalizar as políticas no sentido de melhorar a vida dos mais pobres", ou, então, "canalizaremos todas as verbas para as vítimas". Tudo é canalizado, já não é só a água, pelo que esta tendência devia mesmo projetar a introdução da disciplina "Técnicas de canalização" a partir do 2.º Ciclo, porque o futuro, da maneira que as coisas vão, está mesmo no esgoto.

*Jornalista

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