Opinião

#silêncio

Vivo intrigado com o silêncio, uma entidade desconhecida, daí a minha admiração, sobre a qual apenas sei ser dona de uma das maiores caixas do correio do Mundo, talvez apenas superada pela do Pai Natal.

Se não é assim, parece, atendendo à quantidade imensa de pessoas que todos os dias são remetidas ou se remetem ao silêncio. Governantes apanhados na curva e arguidos de colarinho branco, então, é mato, ou correio intenso, tantos são os que se calam quando o calor das embrulhadas aperta. A caixa de correio do silêncio deve ser tão grande quanto mal frequentada. Bem vistas as coisas, é quase um albergue de maus costumes, um refúgio para covardes e alguns inocentes - somente no caso dos que ficam afónicos após uma tarde de inverno a beber cerveja gelada. A passagem pela caserna das bocas fechadas é quase sempre libertadora. Como um felino à espera da presa, os silenciados aguardam pela hora certa para voltarem a dar à língua. E quando o fazem, normalmente, retomam a atividade como vítimas de um mundo sempre cruel, não porque assim seja efetivamente, mas por ser visto a partir do buraco negro, onde se alojam os oportunistas e os enganadores.

*Jornalista

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