Opinião

#tapinha_dói

Agora que a TAP e respetivos prejuízos voltam a ser maioritariamente nossos, dos portugueses, podemos contar aviões antes de dormirmos descansados, mesmo que a EDP, que já não é nossa e apesar dos respetivos lucros, nos poder cortar a luz, no caso de não pagarmos a fatura.

Se calhar, nem faz grande diferença, porque é bem possível que sem reparar tenhamos andado às escuras anos a fio. O mundo empresarial é isto e sempre nos disseram que assim terá de ser para manter um país com finanças saudáveis.

Pena que o céu seja cinzento para muitos e azul para poucos, como um senhor chamado David Neeleman. Um empreendedor, como devíamos ser todos, porque num mundo perfeito todos teríamos o direito de ser amados pelo dinheiro que arde sem se ver.

Lamentavelmente, só sentimos este quentinho quando nos queima sob a forma de impostos. Mas se fôssemos empreendedores podia até dar-se o caso de assumirmos uma companhia de aviação de bolsos vazios, não investir um cêntimo, emprestar dinheiro, sair com a carteira cheia e ainda receber juros. Business!

Mas se calhar é só para quem tem aviões, talvez por andar sempre nas nuvens, ali pertinho do céu. Já nós, pés assentes no chão. Para já, protegidos por sapatos, enquanto houver dinheiro para os comprar.

*Jornalista

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