Opinião

#turismo

Quem pode, pode, e a gente agora quer e não pode. Os dias em que tudólogos se estendiam em lençóis de texto sobre os efeitos apocalípticos do excesso de turistas parecem pertencer à Pré-história.

No Portugal pós-pandemia, as mesmíssimas pessoas dedicam longas prosas a encontrar os culpados pelo estado a que o Estado chegou - e a coisa não ficará por aqui - por causa dos turistas que não chegam. Depois, há o país real. O país que realmente sofre com o desemprego num setor que faturou milhões nos últimos anos mas na primeira quinzena de confinamento já estava a despedir funcionários, como se alguém acreditasse que depois de tanto lucro nem sequer um pequeno pé de meia restou no sapatinho dos empresários para aguentar o impacto de um pequeno abanico, naquela altura, pois o pior veio a seguir. As mentes brilhantes viram-se agora para a muleta amiga do "Eu bem dizia que o país não podia depender excessivamente do turismo". Também podiam ter adivinhado os números do Euromilhões, o que daria muito jeito a qualquer um numa altura destas, uma vez que foram incapazes de augurar a pandemia de covid-19 e a falta de solidariedade de uma Europa sem rumo, uma União com membros fraturados e fronteiras tipo porta automática, a abrir e a fechar à vontade do freguês.

Jornalista

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