Opinião

Um triste serão na TV

Um triste serão na TV

A oferta televisiva em Portugal nas noites de domingo confirma que nem sempre a concorrência resulta num serviço melhor para os consumidores.

A SIC e a TVI estão apostadas como nunca em conquistar as audiências, numa corrida que anima o mercado de transferências entre canais, com trocas e rescisões de contrato, bem ao jeito do futebol, tão complexas que acabam esgrimidas em batalhas judiciais, como no processo entre a Cristina Ferreira e a estação de Pinto Balsemão. Este arrojo poderia trazer associada uma melhoria na qualidade da oferta, mas a análise ao prime time de anteontem desmente qualquer expectativa de dias melhores na televisão privada.

Na SIC, a aposta reside no "Hell's kitchen", uma espécie de manual de como não deve ser tratado um funcionário, de uma cozinha ou de outra instalação qualquer. A estrela da companhia é o irascível chef Ljubomir, que destrata os concorrentes a eito. Bem sei que quem se expõe num concurso televisivo está informado sobre os riscos. O problema está no péssimo exemplo, que facilmente se pode transformar numa espécie de validação de práticas laborais utilizadas por gente sem sensibilidade para tratar as baratas de uma cozinha imunda, menos ainda de pessoas. Na concorrência, à mesma hora, a TVI privilegiava as cantigas, com "All together now". Se o objetivo é submeter as cordas vocais dos concorrentes à apreciação de 100 jurados, não encontro razão para Cristina Ferreira expor a morte recente da mãe de uma jovem ao público. A estratégia é velha e passa por captar o lado emocional dos telespectadores, fidelizando a audiência através da lágrima fácil.

A televisão por subscrição chega a mais de 80% das famílias em Portugal, haverá muito por onde escolher, mas a audiometria diz-nos que um quarto da população assistiu a um destes formatos no serão de domingo. Quando a qualidade desce ao nível atual, há razão para estarmos preocupados.

Chefe de Redação

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