Polémica

Alexander Wang entre a glória na moda e as acusações de abuso sexual

Alexander Wang entre a glória na moda e as acusações de abuso sexual

Capaz de desenhar roupa para as grandes marcas de consumo em larga escala, mas também de fazer capas da revista Vogue e vender peças únicas por milhares de euros, o estilista norte-americano Alexander Wang é um nome marcante na moda mundial. Com uma breve passagem pela direção da Balenciaga e uma marca em nome próprio usada pelas celebridades, desde o final de 2020 que faz capas de jornais por ser acusado de abuso e assédio sexual.

Alexander Wang faz parte da cultura pop americana. O percurso, protagonizado por diversas conquistas no mundo da moda, teve início aos 20 anos, quando abandonou a Parsons, uma faculdade de artes e design, para criar a sua própria marca, a "Alexander Wang". Num relatório lançado em 2016, pela Business of Fashion, a marca que, em 2005, começou a vender malhas, tinha uma receita anual que ultrapassava os 150 milhões de dólares, cerca de 123 milhões de euros.

O trajeto do profissional de moda tem sido galardoado com vários prémios que aplaudem não só o profissionalismo, como o talento de Wang. O prémio "Melhor Designer de Moda Masculina do Ano" foi entregue pela GQ em 2008, três anos após o início da carreira. O mais recente foi em 2017, quando foi listado como um dos 100 maiores influenciadores na indústria pela HypeBeast, uma marca destinada a moda masculina e streetwear.

Ainda assim, a carreira do estilista tem sido palco de vários conflitos judiciais. O mais recente dá conta de onze acusações por assédio sexual, segundo a advogada Lisa Bloom, representante das vítimas, à BBC. Owen Mooney, um modelo de 26 anos, disse num vídeo do TikTok, publicado a dezembro de 2020, que tinha sido apalpado pelo estilista, em 2017. "Ele começou a tocar-me na perna, depois na minha virilha. Fiquei de tal maneira em choque que acabei por congelar", contou.

Os relatos vão-se somando agora, mas, segundo a BBC, as acusações sobre a conduta de Alexander Wang circularam pela primeira vez online há quatro anos. Um dos casos, conhecido esta quarta-feira, retrata a história de Nick Ward, de 28 anos, que partilhou no Twitter ter sido assediado pelo estilista numa festa em Nova Iorque, em 2019. Ward deu, à época, uma entrevista à Insider, mas a "sua acusação recebeu pouca atenção". Alexander Wang nega sequer ter estado na festa referida por Ward.

Sobre a mais recente polémica, o estilista disse, no seu Instagram, que as acusações não passam de "mentiras fabricadas e, principalmente, [de queixas] anónimas". Além disso, diz que é uma prioridade "provar que as acusações são falsas e são alimentadas exclusivamente por motivos oportunistas".

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Em 2012, sete anos após ter colocado os pés a caminho na indústria da moda, a carreira de Alexander Wang já era palco de conflitos. "Os fãs chamam-no de 'chique', mas os seus funcionários chamam-no de capataz", foi assim que o "New York Post", um jornal diário americano, deu conta de um processo de 50 milhões de dólares, cerca de 41 milhões de euros, que apontava o estilista como o principal responsável por administrar uma fábrica de exploração de trabalho em ChinaTown, em Nova Iorque.

Um dos relatos foi de Wenyu Lu, um trabalhador da fábrica, que disse ter desmaiado no seu posto de trabalho por ter sido forçado a trabalhar 25 horas sem direito a pausa, sendo ainda ameaçado de que se não o fizesse seria despedido. A Women's Wear Daily (WWD), um jornal de moda, no mesmo ano, afirmou que o caso tinha sido encerrado após um acordo não revelado entre as duas partes.

Ainda em 2012, conquistou o cargo de diretor criativo da Balenciaga, onde se manteve por três anos. Embora as razões que impeliram Wang a deixar o cargo não tenham sido conhecidas, as suspeitas recaíram sobre a necessidade de o estilista se concentrar na marca homónima. Segundo a revista "Racked", não estava a conseguir conciliar as exigências de dirigir uma das principais grifes mundiais e a empresa em nome próprio.

Mesmo com as polémicas, a popularidade e importância do norte-americano foi crescendo, tornando-se obrigatório nos armários de figuras como Kim Kardashian e Lady Gaga. Mas nem só da alta-costura vive Wang, que já trabalho, por exemplo, com a H&M para uma coleção de pronto a vestir.

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