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Alfredo Tavares: de motorista da Coroa a protagonista em Itália

Alfredo Tavares: de motorista da Coroa a protagonista em Itália

Natural de Aveiro, ator participa na série da Netflix "The Crown" e, em outubro, terá o papel principal no filme "Subwater", que vai ser rodado em Milão.

Engenheiro de formação, Alfredo Tavares decidiu mudar de profissão em 2016. Foi longe de Portugal, de onde saiu em 1999, rumo a Paris, atrás de um amor e de uma vida melhor. Atualmente, é entre Los Angeles e Londres que se move, dando cartas no mundo da representação. Em breve, assumirá o protagonismo na Sétima Arte, a partir de Milão.

Alfredo trabalhou cerca de 17 anos na Siemens, até que, na altura em que se divorciou, ficou "saturado e com vontade de mudar". Os colegas incentivaram-no a arriscar a carreira de ator, longe de imaginarem que era "um sonho de infância".

Aos 41 anos, foi aceite na escola de representação Cours Florent, na capital francesa, onde estudou "teatro, antes do cinema".

Com a ambição de "ser famoso", Alfredo candidatou-se depois à New York Film Academy, em Los Angeles. "Fui fazer uma audição com o monólogo do Anthony Hopkin em "O silêncio dos inocentes". Na altura, como praticamente não falava inglês, mandaram-me para Harvard, onde passei seis meses intensos, antes de fazer o acting. Correu tudo bem, entrei na melhor agência para figurantes, e comecei a ser chamado para filmes", recorda. "Era uma vez em... Hollywood", de Quentin Tarantino, foi um dos primeiros grandes projetos em que participou, como duplo do Kurt Russel.

Após figurações e cenas como duplo em Hollywood, o ator português agarrou participações "com mais falas". "Em outubro, vou ser um dos atores principais na longa-metragem "Subwater". Vamos começar a filmar em Itália e esse vai ser o meu primeiro grande papel", afirma. "Motorista da rainha" na quarta temporada da série da Netflix "The Crown", segue também para a quinta época do projeto "como guarda-costas do príncipe Carlos". "Antes de vir de férias para Portugal, precisaram de mim um dia em Londres e, quando voltar, vamos continuar", conta ao JN.

"Sofri dos cinco aos 10 anos"

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Natural de Aveiro, aos 10 anos Alfredo mudou-se para o Porto, depois de ter perdido a mãe quando tinha cinco anos e de ter sido negligenciado pelo pai, acabando aos cuidados da família paterna.

"Ainda quando estava em Aveiro, como era muito pobre, apanhava um biscoito do chão ou comida do lixo para comer e fui infetado com tuberculose. A minha sorte foi ter ido para o Porto", reconhece, assumindo que sofreu "imenso". Sem ressentimentos, continua, considera que foi isso que o "motivou a querer ser alguém e a nunca baixar os braços", confessa.

Na Invicta, tornou-se "cinturão negro em karaté e kickboxing" e acabou licenciado pela Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, antes de emigrar já com o diploma na mão e vontade de vingar, ainda longe dos holofotes que, aos 47 anos, começam a ser-lhe apontados.

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