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Denúncia

Bárbara Bandeira vítima de perseguição

Bárbara Bandeira vítima de perseguição

A cantora Bárbara Bandeira, de 18 anos, é a mais recente figura pública portuguesa a denunciar ser vítima de "stalking". A jovem usou as redes sociais para revelar que é perseguida há um ano por um fã de "20 e poucos anos", loiro platinado e com uma cicatriz no rosto.

"As mensagens que ele envia já falam em suicídio", partilhou, dizendo que resolveu expor a situação para pedir ajuda aos seguidores. "Estou com medo", confessou ainda, acrescentando depois ter decidido denunciar o caso à Polícia.

Bárbara é apenas mais um nome no rol de famosos a sofrerem no dia a dia com a perseguição, que vai muito além das redes sociais, e atenta contra a privacidade e ameaça a integridade física dos alvos. Esta semana também foi notícia o caso da animadora de rádio Joana Cruz. Em 2014, a começou a ser assediada e ameaçada por um técnico comercial, de 43 anos, do Seixal. "A obsessão era ela, mas o alvo era o namorado, o músico Alberto Índio.

O "stalker" dizia que o matava, esfolava, assim como à filha dele, a toda a família e amigos", conta fonte próxima ao JN, acrescentando que o infrator "já foi julgado por crimes idênticos há 11 anos". O indivíduo tirava fotos do casal ao longe e às fachadas das casas para assustar Joana e Alberto. Em tribunal, o arguido assumiu uma psicose, acicatada pela notícia do namoro, e agora o Ministério Público pede pena de prisão efetiva.

Crime desde 2015

Em Portugal, o "stalking" está tipificado como crime de perseguição desde 2015 , com pena de prisão até três anos ou multa. É um crime semipúblico: implica que seja a própria vítima ou representante legal a denunciá-lo. A criminalização é recente, mas há muito que se faz sentir. O vocalista dos UHF, António Manuel Ribeiro, foi a primeira vítima mediática a fazer queixa que chegou a tribunal. Foi perseguido de 2003 a 2012 por uma mulher e escreveu o livro "És meu, disse ela" a contar toda a experiência.

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"Em stress absoluto" foi como viveu a atriz Patrícia Tavares durante um ano e meio com as ameaças e perseguições de um fã que acabou condenado a pagar uma multa de 2750 euros e uma indemnização de 7 mil euros.

As gémeas e atrizes Anabela e Margarida Moreira também foram alvo de uma cerrada perseguição por parte de um homem e uma mulher, que acabaram identificados pelas autoridades. Já Diana Monteiro expôs nas redes sociais o perfil do homem que, consecutivamente, lhe enviava mensagens impróprias.

O que fazer?

A APAV tem a campanha "Começa com uma mensagem e acaba por tomar conta da sua vida" para sensibilizar para um problema que é bem real. No entanto, a investigadora e psicóloga Célia Ferreira, do Grupo de Investigação sobre Stalking em Portugal (GISP), lembra que "que não podemos cair em extremismo porque nem tudo é stalking".

"Há situações de assédio que podem constituir "stalking", mas não estamos a falar de um comentário impróprio ou um piropo, de comportamentos isolados. Falamos de campanhas insistentes e muito reiteradas. O que vai fazer diferença é a persistência e repetições de comportamentos que podem durar semanas ou meses", explica a especialista.

Um estudo desenvolvido pelo GISP concluiu que "é um fenómeno generalizado no país" e que as mulheres são as mais vulneráveis. Célia sublinha que não há dados que permitam definir uma tendência, mas reconhece que "o fenómeno tem vindo a receber mais atenção das pessoas que estão mais sensibilizadas para a denúncia".

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