Televisão

Cristina Ferreira assume "medo" da mudança

 

 

 

Cristina Ferreira usou um excerto do seu livro "Sentir", escrito há dois anos, para fazer alusão à sua saída da TVI e entrada na SIC.

Depois de 16 anos ao serviço da estação de Queluz de Baixo, Cristina Ferreira assume ter "medo" da mudança. Ainda assim, e apesar de todas as "dúvidas" que a "assombram", o "conformismo" não faz parte da sua maneira de ser. A reflexão surge no seu livro "Sentir" e serviu agora para a nova apresentadora da SIC mostrar, através das redes sociais, o que pensa sobre a sua transferência para a estação de Carnaxide.

"Todos nós fazemos escolhas diárias. Mas há umas tão importantes que sabemos que nos podem mudar a vida ou o seu rumo", lê-se no texto, no qual assume não gostar "de demorar muito tempo a tomar decisões". No caso desta sua transição, tomou-a em menos de um mês, com todas as implicações que dela podem advir.

Leia na íntegra o texto publicado por Cristina Ferreira:

"Todos nós fazemos escolhas diárias. Mas há umas tão importantes que sabemos que nos podem mudar a vida ou o seu rumo.

Não gosto de demorar muito tempo a tomar decisões. Deixo à sorte, muitas vezes, o papel de boa conselheira. «Quem muda, Deus ajuda.» O ditado é antigo e confio nessa sabedoria para fazer o meu caminho. Não costumo olhar para trás depois de decidir. E volto a uma frase do meu pai que me estruturou o pensamento: «A cama que fizeres, nela te deitarás.» Ainda que o destino possa ter alguns planos, somos nós que optamos. Há sempre uma esquerda e uma direita. E eu acredito que, mesmo escolhendo a direcção errada, há sempre maneira de chegar ao destino final. Costumo dizer que até os becos sem saída permitem uma alternativa: voltar atrás. Essa segurança, ou forma de ver as coisas, tem-me ajudado a serenar na hora de escolher. Talvez ainda não tenha passado por uma decisão realmente difícil. Ou, então, não lhe dei a devida importância. Talvez seja a idade a trazer esse peso - ou essa leveza. Há pouco tempo, um primo dizia-me que aos 40 não se muda. Que um emprego de 18 anos se mantém, mesmo que não nos dê felicidade. «Talvez até nem saiba fazer mais nada.» Este conformismo deixou-me a pensar. Sabemos nós desta vida que a outra ninguém ainda conseguiu provar. Porque nos habituamos a uma vida que não é a nossa quando podemos escrever a nossa própria história e emprestar-lhe vários capítulos? Talvez seja loucura o risco. Talvez os filhos nos acrescentem medo ao futuro. Mas é preciso ultrapassar esse medo. Talvez seja esta a mais dura batalha da vida. Nos últimos tempos tenho pensado muito nisso. Têm-me assaltado os medos de uma escolha difícil. E, ao mesmo tempo, tenho a certeza de que, aconteça o que acontecer, fui. Há dúvidas que me assombram. Mas estou certa de que não me perdoaria. Pior do que ir e ter que voltar é não ir e nunca saber onde se podia chegar."

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