Entrevista

Iris Cayatte: "Gosto de trabalhar sob pressão"

Iris Cayatte: "Gosto de trabalhar sob pressão"

Diz que as redes sociais ainda são "um mistério", mas quem visita a sua conta no Instagram encontra uma mulher divertida, irreverente e cheia de orgulho pelo seu trabalho. É assim a Iris Cayatte?

"É uma leitura justa", responde a atriz que já foi vista na televisão, em novelas e série dos três canais e que, agora, promete dar que falar com "Adelina", personagem do filme ´"Fátima", produção ítalo-americana, que promete, vaticina, ser "um filme marcante". "Apesar de não ser católica, é de facto incrível que 100 anos depois deste acontecimento, os portugueses e o Mundo continuem a discutir o que se passou naquela pequena aldeia ao pé de Fátima. É uma belíssima história, acredite-se ou não nela, e para mim, como portuguesa, é um privilégio poder contá-la", salientou ao JN.

Se com "Adelina" fez o papel de alguém que se impunha num tempo em que apenas se reconhecia o silêncio às mulheres, há dias, no "IndieLisboa", apareceu no papel de mãe de um adolescente em "Berço", filme de Inês Luís. E fê-lo por gostar do projeto e por querer que o mundo artístico não tenha nas mulheres apenas um personagem feminino. "Pus-me a fazer contas e percebi que em nove anos de carreira profissional como atriz, trabalhei apenas com três realizadoras", sublinha.

"Seguiu" Cristina Esteves

Na série "Os boys", transmitida pela RTP1, fez de jornalista e por via disso quis saber como trabalha um pivô. Andou com Cristina Esteves, viu-a a preparar as notícias, a ser maquilhada, a entrar "em direto". Aprendeu "a cadência da voz e o ritmo com que se lê as notícias, o ser-se neutro".

Na vida de Iris, o teatro, o cinema e a televisão entram à vez ou ao mesmo tempo e ela não se encolhe, embora não esconda que o "trabalho sob pressão" é o que mais lhe agrada, o que quer dizer que quando sobe ao palco, sabendo que não tem margem para erro, lhe dá mais gozo. E depois há o contacto mais direto com o público que, na televisão, são com as câmaras. "Muitas vezes a equipa técnica serve-me como referência, sente-se no ar quando uma cena está demasiado dilatada ou demasiado curta. O diálogo existe entre atores e entre ator e realizador", atalha.

A convite de Edgar Pêra, fez o filme "Caminhos magnéticos", ao lado ator francês Dominique Pinon. "Ele foi protagonista de um dos filmes que mais me marcou na adolescência, o Delicatessen", aponta, acrescentando: "Com ele, aprendi sobretudo a fazer as coisas com calma, a escutar melhor. Não houve take que ele fizesse que não me comovesse".

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