Entrevista

Joaquim Monchique: "Atuar no Porto é uma injeção de energia"

Joaquim Monchique: "Atuar no Porto é uma injeção de energia"

É com casa cheia que, mais uma vez, Joaquim Monchique se despede do Porto com o espetáculo "Mais respeito que sou tua mãe", já com data de regresso marcada para setembro "para mais uma temporada".

"A 5 de abril, comemoro dez anos que a estreei", recordou o ator em entrevista ao JN, acrescentando que, para além dele, no elenco, sempre se mantiveram Hugo Mascarenhas e Tiago Aldeia, somando "365 sessões, o que equivale a um ano inteiro a fazer a peça".

Atuar no Porto é, salienta, levar "uma injeção de energia". No Teatro Sá da Bandeira, no último mês, esgotou sempre a lotação, mantendo a fidelização do público que há muito admira o seu trabalho. "A crise no teatro é quando os espetáculos são maus. Eu não me posso queixar e tenho orgulho de o público ter um carinho avassalador por mim", reconheceu. Na rua, abordam-no para falar sobretudo "da porteira do Porto" que fez no "Estado de graça" e que teve inspiração "nas mulheres da zona da Sé e da Ribeira".

Abrandar aos 51 anos

"Mais respeito que sou tua mãe" segue para o Teatro Villaret, em Lisboa, e é o único projeto que ocupa Joaquim Monchique, de 51 anos, até porque é muito exigente física e mentalmente, obrigando a definir prioridades. Isto depois de "pensar que ia passar mal porque estava a gravar a série "Luz vermelha" (RTP) e, ao mesmo tempo, estava com a peça 'God'".

"Eu acho que ainda tenho 20 anos e a verdade já não é essa. Portanto, não me conseguia levantar às seis da manhã e deitar-me às duas e trabalhar tantas horas seguidas", assumiu. Foi na altura em que a amiga e atriz Maria Rueff sofreu o enfarte e "serviu de lição para todos, pois fazer televisão e teatro quase ao mesmo tempo é praticamente incomportável". "Ainda enquanto tiver forças", Monchique quer repor o monólogo "Paranormal" que "foi um grande êxito e o mais visto em Portugal".

Os primeiros papéis de Joaquim Monchique na representação foram dramáticos e foi com "Romeu e Julieta", de Shakespeare, que se estreou. Mas não tem saudades de personagens nesse registo, pois acha "mal empregado ver as pessoas sentadas numa plateia e não as ouvir divertirem-se". "Os atores de comédia atuam dentro do coração com o dom da alegria. E as pessoas agradecem-me as duas horas de felicidade e esse é o maior prémio de todos e eu já os recebi todos", partilhou.

Mesmo assim, recentemente, destacou-se como o dono da casa de alterne de "Luz vermelha", na RTP, sem humor à mistura e à imagem "da vida real" e com "inputs" das muitas conversas que teve com prostitutas para a construção de personagens como a Geraldina, a Espanhola e a Missionária, que protagonizou com Maria Rueff e Ana Bola.

"Muitos seguidores nas redes sociais é fake"

"Realizado, mas sempre insatisfeito", Joaquim Monchique congratula-se por escolher o que faz. "Nos últimos dez anos tive mais de 18 milhões de espectadores em teatro, que é a cidade de Lisboa toda", frisou. "Agora, liga-se muito a quem tem muitos seguidores nas redes sociais", mas "isso é um bocadinho fake". "Os seguidores não pagam para ver uma peça. Ter quem saia de casa para nos ver é uma bênção. Tenho esse privilégio".

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