Conversa

Miguel Raposo: "O divórcio dos meus pais foi uma lição valiosa"

Miguel Raposo: "O divórcio dos meus pais foi uma lição valiosa"

Sem fogo de artifício, mas de forma consistente, Miguel Raposo tem trilhado o próprio caminho na representação, sem nunca negar o legado dos pais, os veteranos atores Maria João Abreu e José Raposo.

Ao lado dos dois, subiu recentemente ao palco com a peça "Sonho de uma noite de verão" e surpreendeu na série da SIC "Golpe de sorte" que, ontem, arrancou com a temporada final. E, ainda com o pai, integra o elenco do musical "Chicago", em cena no Teatro da Trindade, em Lisboa.

"É maravilhoso trabalhar com os meus pais e a forma como falamos do trabalho e como nos ajudamos é uma coisa natural. No nosso caso, apesar das dificuldades da profissão, o facto de sermos família não pesa, até porque estamos aqui para sermos felizes", revelou ao JN. Em "Golpe de sorte", Miguel foi Duarte, o filho impostor de Maria do Céu e Zé Luís, as personagens de Maria João e Raposo, o que acabou por "dar muito gozo".

O casamento dos pais terminou há mais de dez anos, mas não deixou mágoas no ator, de 33 anos. "Foi uma lição valiosa para mim e para o meu irmão. O divórcio é sempre uma coisa pesada, independentemente das razões da separação. Mas, depois de toda a azáfama, de gritarem um com o outro e de chorarem, conseguiram ter a generosidade de perceber que era hora de fazerem jantares connosco e apresentarem os namorados uns dos outros. E, de repente, voltamos a ter uma casa cheia e os meus pais são os melhores amigos um do outro", confidenciou.

Lugar em Chicago

Para o artista, o musical "Chicago" representou "o verdadeiro golpe de sorte", como recorda: "Houve uma mega-audição em Portugal, em que se mandaram vídeos de todo o lado, mas só foram selecionadas dez pessoas para o casting final. Eu fui uma delas, correu muito bem".

Crescido entre camarins e palcos, arriscou na vocação quando terminou o ensino secundário e não se via "a fazer mais nada". Tentou a sorte no Conservatório, vingou e sempre trabalhou, focado principalmente nas dobragens, uma "grande paixão", e no teatro, que é o que gosta mais.