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Quando as celebridades ajudam na saúde mental

Quando as celebridades ajudam na saúde mental

Raquel Tavares deixou palcos contra exaustão e Pedro Granger procurou ajuda numa clínica. Psicólogas vêem testemunhos como meio para mudar mentalidades.

A pandemia e as pressões da sociedade afetaram a saúde mental de uma maioria e há muitas figuras públicas que têm vindo a público falar sobre o assunto. É o caso de Pedro Granger, que voltou às redes sociais para explicar que "desapareceu" durante cinco meses para se tratar. "Às vezes é preciso parar para me organizar, para perceber o que é que se estava a passar comigo, para cuidar de mim", assumiu, sublinhando que "não há que ter vergonha de parar e de dizer que temos de tomar conta de nós".

Vinte meses depois de ter anunciado o fim da carreira como fadista, Raquel Tavares revelou, há dias, que o fez por temer acabar como Amy Winehouse, que morreu por excesso de álcool, em 2011, depois de anos a lidar com uma depressão. "Havia coisas [na história dela] que eu reconhecia e era assustador perceber que era muito parecido", confessou na Rádio Comercial. "Eu optei por viver, a Amy não. Em última análise foi isto."

Saber abrandar

Com duas filhas gémeas, a novela "Amor, amor" e o "Domingão", na SIC, a semana passada Débora Monteiro acabou tramada pelo cansaço, reconhecendo que "ninguém é de ferro". "É preciso saber abrandar e aproveitar todos os bocadinhos para desligar. Dizer não também é fundamental, mesmo que custe. O importante é a sanidade mental", admitiu, depois de sentir o corpo queixar-se.

O ano passado, o suicídio de Pedro Lima despertou a reflexão entre colegas e anónimos e, como conta a psicológica Ana Oliveira, por ser uma pessoa conhecida do público, levou "muitos pacientes a valorizarem pensamentos que já lhes passavam pela cabeça". As experiências das figuras públicas levam ainda a "que muitos comecem a olhar para a saúde mental sem criar resistência", acrescenta a também psicóloga clínica Sandra Cunha.

No estrangeiro também há exemplos. O ano passado, a cantora Camila Cabello falou sobre a luta contra a ansiedade - que atrapalha a vida muitas outras celebridades - e o transtorno obsessivo-compulsivo, mesmo que parecesse ser tudo perfeito mas publicações do Instagram.

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Ídolo de várias gerações aos 19 anos, Billie Eilish acabou por entrar numa espiral depressiva em 2018 por causa da fama precoce e da falta de privacidade. Superou com terapia e graças à paciência e apoio da família, empenhando-se agora em ajudar fãs que sofram do mesmo problema.

A saúde mental deixa, aos poucos, de ser tabu, mas Sandra Cunha nota que "a vergonha ainda está muito presente, quando na realidade ir a um psicólogo ou a um psiquiatra deveria ser tão normal e frequente como ir a qualquer outra especialidade da área da saúde".

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