Julgamento

R. Kelly, uma vida marcada pelas acusações de abuso sexual

R. Kelly, uma vida marcada pelas acusações de abuso sexual

O músico R. Kelly está a ser julgado por abuso sexual e exploração sexual infantil. O julgamento começou a 18 de agosto e decorre em Nova Iorque.

O músico norte-americano R. Kelly, de 54 anos, teve a maior parte da sua vida marcada por acusações de abusos sexuais, muitos delas envolvendo menores. Durante décadas, o cantor não foi condenado, embora tenha enfrentado um julgamento em 2008, em que absolvido das acusações.

Agora, R. Kelly enfrenta de novo a Justiça, em Nova Iorque, suspeito de 22 crimes, incluindo exploração sexual infantil, produção de pornografia infantil, extorsão e obstrução à justiça. O julgamento iniciou-se a 18 de agosto, após um atraso de mais de um ano causado pela pandemia, e teve lugar num tribunal federal dos EUA, em Brooklyn.

O cantor foi descrito pela procuradora federal adjunta María Cruz Meléndez como "um homem que, durante décadas, usou a sua fama, a sua popularidade e uma rede de pessoas à sua disposição para recrutar, preparar e explorar raparigas, rapazes e mulheres jovens para a sua satisfação sexual". O caso contra R. Kelly baseia-se nas acusações de seis mulheres e espera-se que quatro delas testemunhem em tribunal.

A acusação diz que o cantor, premiado com três Grammy, utilizava um grupo de managers, guarda-costas e outros funcionários para recrutar as vítimas, que depois ameaçava se fugissem. O músico nega as acusações, que referem momento de de 1994 a 2018. Caso seja condenado por todas elas, o cantor pode ser condenado a uma pena entre 10 anos e prisão perpétua.

Julgamento

A primeira testemunha de acusação, identificada como Jerhonda Pace, contou que o músico começou a ter relações sexuais com ela em 2009, quando tinha apenas 16 anos. A vítima, agora com 28 anos, foi uma das primeiras mulheres a acusar publicamente o cantor e testemunhou contra R. Kelly durante os dois primeiros dias do julgamento.

No seu testemunho, Pace revelou ter sido ser forçada a obedecer a regras duras sempre que visitava a casa do cantor, incluindo, ser forçada a chamá-lo de "papá". A jovem também explicou que era obrigada a seguir as "regras do Rob" e que, uma vez, desobedeceu às normas estipuladas. "Foi quando ele me bateu e me sufocou até eu desmaiar", afirmou, lembrando-se apenas de ter caído no chão da casa de R. Kelly, em Chicago.

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Embora tivesse apenas 16 anos, Pace contou que o cantor queria que ela se vestisse de forma a parecer mais jovem: "Ele queria que eu prendesse o meu cabelo num rabo-de-cavalo e me vestisse como uma escuteira", disse ao júri. Jerhonda Pace afirmou também que, inicialmente, disse ao músico que tinha 19 anos. Contudo, quando revelou a verdade, R. Kelly não perdeu o interesse na jovem.

Os advogados do cantor tentaram retratar a vítima como uma "superfã" ciumenta que inventou mentiras quando Kelly estava a perder o interesse por ela. "Estava, na verdade, a persegui-lo, não estava?", perguntou-lhe Deveraux Cannick, um dos advogados do cantor, durante o interrogatório. Atualmente, Pace é casada e tem quatro filhos. Afirma, também, que contraiu herpes devido a Kelly e a acusação diz que o cantor lhe transmitiu a doença deliberadamente.

No final do testemunho, Kris McGrath, médico do cantor durante 25 anos, revelou ao júri que acredita a "100%" que o cantor tinha herpes e que lhe prescreveu tratamento em 2007, explicando-lhe, também, que tinha de revelar a doença contagiosa às suas parceiras sexuais.

No quarto dia de julgamento, foi chamada a testemunhar a segunda acusadora. A mulher, identificada como Mulher Não Identificada nº 5, acusa o cantor de a ter obrigado a fazer sexo oral quando esta tinha 17 anos. A mulher diz que conheceu R. Kelly, em 2015, num quarto de hotel, na Florida, com o intuito de ser apresentada ao cantor para uma audição profissional.

A jovem disse ao músico que não estaria ali para o "satisfazer", mas R. Kelly foi persistente, afirmando que, se fizesse o que este lhe pedia, podiam avançar para a realização da audição. A acusação revela que o cantor fez sexo várias vezes com esta mulher, quando tinha 48 anos, e não lhe contou que tinha herpes.

Os dois terão mantido uma relação e a jovem terá engravidado do músico, em 2017. R. Kelly terá obrigado a mulher a realizar um aborto.

A cantora Aaliyah terá sido também uma das vítimas do músico norte-americano. Alegadamente, os dois terão casado numa cerimónia ilegal, quando o cantor tinha 30 anos e a jovem 15. R. Kelly terá subornado um funcionário público para falsificar a idade de Aaliyah e gerar a certidão para o casamento. R. Kelly foi produtor musical da cantora no seu álbum de estreia e tinha negado anteriormente as acusações. A cantora morreu num acidente de avião aos 22 anos, em 2001.

R. Kelly declarou-se inocente de todas as acusações.

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