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Sexo e beijos nas novelas agora só com imaginação

Sexo e beijos nas novelas agora só com imaginação

Covid-19 anula contacto físico nas novelas. Beijos desaparecem e as cenas de cama têm nova dinâmica. Telespectador tem de completar cenas com a imaginação.

Depois da paragem de mais de dois meses devido à covid-19, as principais novelas da SIC e TVI voltaram às gravações. Mas em modo muito condicionado. Os beijos desapareceram. E as cenas de cama têm agora uma nova dinâmica, que só fica completa com a imaginação do telespectador a dar uma ajuda.

À entrada dos estúdios, os atores fazem testes ao novo coronavírus. A febre é medida diariamente, as mãos são desinfetadas com gel, as máscaras abundam. As gravações oscilam entre o exterior, com os protagonistas mais afastados fisicamente, e os estúdios, nos quais cada ator tem um camarim individual para estar devidamente protegido. Tudo aquilo em que cada um toca é desinfetado, antes e depois da palavra "ação". É desta forma que "Terra brava", "Nazaré" e "Golpe de sorte", da SIC e "Quer o destino", da TVI, tentam regressar à normalidade.

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Intimidade sugerida

As novelas estão mais curtas e com mais paisagens pelo meio. As televisões precisaram de encurtar os episódios e de "encher" o que estamos a ver. As gravações realizadas até março já escasseiam.

O maior desafio, agora, é o das cenas físicas, de intimidade, como beijos e sexo. "A grande luta para fazer a "Nazaré" é cumprir o protocolo vigente, de distância social, sem que isso se note no ar, com as emoções a passarem para as pessoas. Um beijo no pescoço, por trás, ou um afagar o cabelo não traz problemas", referiu Adriano Luz, da produtora SP Televisão, à SIC.

Fintar limitações com a imaginação

Rui Vilhena, um dos autores mais conhecidos, que recentemente escreveu "Na corda bamba", para a TVI, diz ao JN estar "grávido de alguns projetos", mas a "enfermeira covid não deixa colocá-los cá fora". E como é que o escritor resolveria a questão do contacto físico? Apelando à imaginação, responde. "Imagine-se uma cena de cama. O homem começa a tirar o sapato, ela a roupa. Os dois deitam-se. Não se vê mais nada e os telespetadores subentendem que ali há sexo".

O autor recorda que "Netflix, Hollywood, Bollywood ou Globo" estão parados devido a "regras draconianas" e informa que, no Líbano, "houve uma produção inteira que ficou fechada junta para poder gravar". Chama ainda a atenção para a responsabilidade dos atores portugueses. "Quando os intérpretes e as equipas saírem de estúdio têm a obrigação de continuar a cumprir certas regras, porque basta um apanhar a doença para toda a equipa ficar de quarentena".

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