Política

Subida dos partidos radicais na Eleições Europeias tem "dimensão nacional"

Subida dos partidos radicais na Eleições Europeias tem "dimensão nacional"

O secretário de Estado dos Assuntos Europeus, Bruno Maçães, defendeu que a subida de partidos radicais em alguns países não significa "um voto contra a União Europeia", representando mais uma "dimensão nacional".

Segundo as projeções europeias de domingo à noite, os partidos eurocéticos deverão contar com mais de 140 dos 751 deputados no próximo Parlamento Europeu.

Em declarações à Lusa, Maçães apontou a subida de partidos da extrema-esquerda e da extrema-direita em alguns países, classificando o caso de França, onde a Frente Nacional obteve um resultado histórico de 25%, como "surpreendente". No entanto, sublinhou, na Holanda e na Finlândia, estes partidos tiveram "resultados dececionantes, para eles". Na Alemanha, o partido neonazi alemão NPD conseguiu pela primeira vez eleger um deputado ao Parlamento Europeu.

O governante considerou que estes resultados não representam "necessariamente um voto contra a União Europeia: em muitos casos é um voto que tem uma dimensão nacional".

"É específico dos partidos radicais que a dimensão nacional tem uma enorme importância. São partidos nacionalistas, que não têm interesse em discutir a União Europeia", sustentou.

Para Bruno Maçães, a União Europeia "tem até contribuído para que o voto nestes partidos seja menor" e "tem sido uma influência moderadora e de redução da xenofobia e do racismo".

"Eu não retiraria uma conclusão negativa apenas para a União Europeia. É mais negativa para os sistemas políticos dos países onde a extrema-direita e a extrema-esquerda têm crescido", sublinhou.

Sobre a próxima liderança da Comissão Europeia, Bruno Maçães defendeu ser "normal" que se considere que Jean-Claude Juncker, o candidato do Partido Popular Europeu, venha a "formar a Comissão", após o triunfo do PPE nas eleições europeias.

"As primeiras projeções parecem indicar uma vitória do PPE. É um pouco mais difícil fazer esta análise a nível europeu, porque há um número de partidos que ainda não se associou a nenhum grupo no Parlamento Europeu", disse, considerando ser ainda cedo para retirar conclusões.

Se se confirmar o resultado da vitória do PPE, "é normal que se considere que Juncker tenha oportunidade de formar a Comissão ou de pelo menos o tentar fazer", sustentou.

A decisão, acrescentou, terá de ser tomada pelo Conselho Europeu e pelo Parlamento Europeu, mas, salientou, "tal como acontece nas votações nacionais, o candidato mais votado deve ter a primeira oportunidade para formar governo ou de formar a Comissão".