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Adjunto de Relvas trocou sete SMS com o ex-diretor das Secretas em 2011

Adjunto de Relvas trocou sete SMS com o ex-diretor das Secretas em 2011

O adjunto do ministro Miguel Relvas e o ex-diretor do Serviço de Informações Estratégicas de Defesa Jorge Silva Carvalho trocaram sete mensagens de telemóvel, entre 8 e 15 de Setembro de 2011, uma das quais sobre a violação de um envelope do parlamento.

Um dos SMS entre Adelino Cunha e o ex-diretor do Serviço de Informações Estratégicas de Defesa (SIED) Jorge Silva Carvalho, que terá estado na origem da demissão hoje do adjunto de Miguel Relvas, remonta a 08 de Setembro de 2011, altura em o ex-jornalista Adelino Cunha escreveu que os papéis de Sérgio Sousa Pinto falariam da Rússia e indicou duas siglas que insinuariam os nomes de Vasco Rato e Miguel Relvas.

No dia 14 de setembro, o presidente da comissão parlamentar de Direitos, Liberdade e Garantias revelou que o envelope enviado a Silva Carvalho com cópias dos documentos sobre a atividade das 'secretas' portuguesas chegou aberto ao destino.

Adiantou que o mesmo envelope, com cópias dos documentos remetidos inicialmente de forma anónima ao deputado socialista Sérgio Sousa Pinto, terá sido aberto na central dos CTT.

Nas mensagens trocadas entre Silva Carvalho e Nuno Vasconcellos, patrão da Ongoing, é referido que o ex-"espião" tinha acabado de receber um envelope do parlamento e que houve uma falsificação de um mail, com alteração do destinatário.

Três dias depois, Adelino Cunha envia novo SMS ao ex-diretor do SIED convidando-o para beber um café ao final da tarde do dia seguinte. As comunicações entre ambos dão a entender que esse encontro se concretizou no hotel Tivoli.

Depois de combinado o encontro, Silva Carvalho informa ainda Adelino Cunha que o vai contactar através de um telefone fixo.

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No dia 13 de Setembro, logo pelas 8 horas, Adelino Cunha envia uma nova curta mensagem a Silva Carvalho também via telemóvel a informá-lo de que uma notícia tinha sido congelada.

Dois dias depois há nova comunicação entre ambos e é referido que a missão está cumprida e que o caso do envelope violado está publicado em todos os jornais.

O ex-jornalista Adelino Cunha anunciou esta sexta-feira a sua demissão do cargo de adjunto político do ministro-Adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, através de uma nota enviada à agência Lusa.

Nessa nota, Adelino Cunha afirma ter mantido, por sua iniciativa, contactos com o ex-diretor do SIED Jorge Silva Carvalho durante o período em que exerceu funções no gabinete do ministro Miguel Relvas.

Depois de referir contactos que manteve com Jorge Silva Carvalho, Adelino Cunha acrescenta: "Apresentei o pedido de demissão, que o ministro-Adjunto e dos Assuntos Parlamentares aceitou".

Na nota enviada à agência Lusa, Adelino Cunha começa por referir que "ao longo de 20 anos de carreira como jornalista e como historiador" tratou diversas matérias relacionadas com o SIED e que conheceu Silva Carvalho antes de ter sido nomeado adjunto político do ministro Miguel Relvas.

"Mantive, por minha iniciativa, contactos durante o período em que exerci funções", afirma.

"Em setembro de 2011, o Dr. Jorge Silva Carvalho manifestou a sua indignação pelo facto de um envelope que lhe fora enviado pela Assembleia da República ter sido alegadamente violado. A título pessoal, contactei antigos colegas jornalistas alertando-os para esse facto. Informei-o também sobre os rumores que corriam na Assembleia da República sobre o alegado conteúdo dos documentos", refere.

No processo do Ministério Público, que desde hoje está para consulta, consta também um sms de Silva Carvalho para o assessor de imprensa da Ongoing, datado de 5 de agosto de 2011, a informá-lo de que está num jantar com Rafael [Mora] e Miguel Relvas, na quinta do Lago, no Algarve.

Na missiva, Silva Carvalho elogia o trabalho do assessor diz que têm trabalhado muito, aconselha-o a não responder a alguém que não identifica e diz-lhe para ficarem atentos ao Expresso, o jornal que começou por noticiar o polémica caso das 'secretas'.

No início deste mês, o Ministério Público acusou três arguidos do denominado "caso das secretas" pelos crimes de acesso ilegítimo agravado, abuso de poder, violação do segredo de Estado e corrupção passiva e ativa para ato ilícito.

Entre os arguidos estão Silva Carvalho, ex-administrador da Ongoing, e o presidente da empresa, Nuno Vasconcellos.

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