Crise Financeira

Analista considera que Orçamento de 2015 indicia situação muito complicada no país

Analista considera que Orçamento de 2015 indicia situação muito complicada no país

O politólogo André Freire considerou, esta segunda-feira, que as medidas do Orçamento de Estado para 2015 já conhecidas indiciam que a situação do país "é bastante complicada" porque "nem em ano de eleições os impostos baixam".

"A conclusão é a de que continuamos com um problema de finanças públicas. A situação orçamental é bastante complicada. Mesmo em ano de eleições não há descida de impostos, neste particular de IRS, não vai haver descida nenhuma na sobretaxa em 2015", disse, em declarações à agência Lusa André Freire, sublinhando estar a fazer o comentário com base em informação ainda muito limitada.

Para o politólogo do Instituto Universitário de Lisboa ISCTE, no fim de quatro anos de "sacrifícios, cortes e vendas de empresas", a situação "continua complicada" e o país vai ter de continuar "com medidas que não estavam propostas no início do mandato do governo".

Para André Freire, aquilo que se sabe é que não haverá "descida em termos de impostos para as pessoas singulares em IRS, mas vai haver uma descida sobre o capital, sobre as empresas", salientando que resta agora saber se a pressão fiscal sobre os cidadãos não vai em parte para "financiar o corte em sede de IRC".

"Os sacrifícios e a austeridade não são para todos e, tendo em conta as limitações orçamentais, a verdade é que há uns que vão beneficiar e vai haver uma descida em IRC, para o capital e as empresas", explicou, lembrando que os cidadãos vão continuar a financiar a austeridade cujos efeitos da correção das finanças públicas "ainda não se veem". "E nem em ano de eleições é possível descer a sobretaxa", sustentou.

De acordo com a imprensa desta segunda-feira, o Orçamento do Estado para 2015, que deverá ser apresentado na quarta-feira, inclui a intenção de reduzir a sobretaxa de IRS (que é atualmente de 3,5%), mas não determina a percentagem da diminuição.

Em vez disso, faz depender essa redução do aumento das receitas fiscais conseguido quer através do crescimento da economia, quer através do combate à fraude fiscal.

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"Fazer depender isto do equilíbrio das finanças públicas e da eficácia do combate à evasão fiscal é reconhecer as enormes dificuldades em que ainda vivemos que não permitem planear a curto prazo de um ano" reiterou.

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