Francisco Assis

Assis afirma que o PS não faz "promessas irresponsáveis"

Assis afirma que o PS não faz "promessas irresponsáveis"

O cabeça de lista do PS às eleições europeias afirmou esta sexta-feira que o seu partido não vai fazer "promessas irresponsáveis" de reposição de salários e pensões a seguir às eleições porque o país está pior económica e socialmente.

Francisco Assis, que falava durante uma visita a Vila Real, considerou ser "sensata" a declaração de Óscar Gaspar, conselheiro económico de António José Seguro, que disse que "não é possível voltar a repor os rendimentos dos portugueses ao nível de 2011".

"O PS contrariamente ao que o PSD fez nas últimas eleições, em que prometeu mundos e fundos, não vai fazer agora promessas irresponsáveis e não vai dizer que, no dia seguinte às eleições, vai repor tudo tal e qual estava há uns anos atrás", afirmou à agência Lusa.

Isto porque, segundo o candidato, o PS "bem sabe que o país está hoje pior do ponto de vista económico e social" e que "houve uma regressão nestes anos".

No entanto, Assis garantiu que os socialistas querem precisamente "inverter a política económica para que seja possível repor tudo isso" e para que "se possa voltar a apostar no crescimento da economia através também de um relançamento do próprio mercado interno".

"E isso implica que haja uma alteração de política em relação aos salários e pensões", sustentou.

Depois da declaração de Óscar Gaspar, o porta-voz do PSD, Marco António Costa, pediu explicações por considerar que "contradita o que o PS tem dito nos últimos meses e anos".

Entretanto, o conselheiro económico do PS esclareceu que o partido, "ao contrário do Governo", trabalhará, quando chegar ao executivo, para repor salários e pensões, mas sublinhou que "não há varinhas mágicas na economia".

Após uma reunião na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), Francisco Assis reagiu ainda ao pedido de uma "campanha serena" às europeias, feito esta semana pelo Presidente da República, referindo que não se podem "camuflar as divergências".

"O momento eleitoral é o momento de afirmação das nossas diferenças e isso não prejudica em nada a possibilidade de ocorrência de compromissos futuros, se porventura eles se revelarem possíveis", salientou.

Francisco Assis referiu ainda que o PS tem sido muito claro em relação à questão dos compromissos.

"Nós não aceitamos compromissos que dignificam a abdicação do nosso posicionamento mais profundo. Nós não podemos aceitar um entendimento em torno de um programa que consideramos que é altamente prejudicial para o país e que está a empobrecer o país e parte da nossa economia, aumentar as nossas desigualdades, a gerar grandes tensões sociais no nosso país", sustentou.

Acrescentou que o PS está e sempre esteve disponível para compromissos "em torno de um projeto de desenvolvimento, de crescimento e de distribuição justa da riqueza criada no país", o que disse que "não tem acontecido com este Governo".

Até 25 de maio, Assis espera que seja possível dissipar progressivamente o alheamento que parece haver agora por parte do eleitorado em relação às eleições europeias.

"Eu julgo que, até por efeito da crise, as pessoas compreenderam a importância da Europa para a resolução dos seus problemas. Hoje o país percebe que muitas das nossas dificuldades só poderão ser superadas se houver uma alteração das políticas prevalecentes na Europa", frisou.

Durante a manhã desta sexta-feira, o candidato socialista reuniu com o presidente da Câmara de Vila Real e o reitor UTAD procurando inteirar-se dos problemas desta região transmontana.