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Bagão Félix: Foi alcançado "um verdadeiro Governo de coligação"

Bagão Félix: Foi alcançado "um verdadeiro Governo de coligação"

O ex-ministro das Finanças do CDS-PP, António Bagão Félix, considerou, esta terça-feira, que a solução "gizada" para a reforma do Executivo permite finalmente que este seja "um verdadeiro Governo de coligação e não um Governo de somatório de ministros".

"A solução é melhor, é menos ortodoxa, é mais global, é mais gregária, como deve ser um Governo de coligação. Em que há um respeito pelos dois partidos, em que há um maior e menor, em que o maior tem que ter mais peso, mas o menor não pode ser uma espécie de 'sidecar', sem travões, sem guiador, sem embraiagem", afirmou em declarações aos jornalistas à margem da Conferência "Processo da Reforma do Estado - O Estado Social e o Crescimento Económico", promovida pela CIP - Confederação Empresarial de Portugal, que decorre em Lisboa.

Uma "segunda vantagem" percebida por Bagão Félix na solução proposta pelo primeiro-ministro ao Presidente da República - e que aguarda a decisão de Cavaco Silva - prende-se com a possibilidade deste Governo reformulado passe a poder "olhar para a troika, não na perspetiva de um Estado serventuário, mas de um Estado que sabe discutir com a troika e que pode impor também algumas alterações, algumas regras, como temos visto com outros países, com algum sucesso".

Esta não é, no entanto, a solução que o ex-ministro das Finanças de Durão Barroso e Paulo Portas considera mais adequada para a gestão da atual situação política e financeira do país.

"Esta é uma solução melhor do que a das eleições antecipadas, mas sou cada vez mais defensor de um Governo com os três partidos, PSD, PS e CDS", disse.

"E esta solução, pelo menos face a outra de que se falou - a de eleições antecipadas - é melhor", acrescentou. "Porque iríamos ter o próximo Orçamento do Estado em janeiro ou fevereiro, como era pedir uma moratória ou uma situação de pousio aos nossos credores", acrescentou.

O economista chamou a atenção para o facto de "esta semana" apenas ter produzido "uma série de consequências nos mercados, a nível das expectativas, a nível da bolsa".

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"Só numa semana", reforçou. "Imagine-se o que era nos próximos meses não haver governo ou haver um governo de gestão. Nesta situação, Portugal não pode ter um governo de gestão, seja ele qual for, a não ser numa situação absolutamente de rutura e dramática", concluiu.

Instado a qualificar a atitude do líder do CDS, cuja demissão levou à crise política criada, Bagão Félix chamou a atenção para o facto de "o ato de demissão" de Paulo Portas ter apenas seguido "o ato de demissão que parece que estamos a esquecer, de Vítor Gaspar". "Aí é que tudo começou", sublinhou.

"Não faz muito sentido que Vitor Gaspar se demita na fase final de preparação do Orçamento, a quinze dias da 8ª avaliação da troika. Esse é que me parece ser o momento crítico", acrescentou.

Quanto a Paulo Portas, quando Bagão Félix falar com ele irá dizer que "errou num ponto que em política é fundamental: É que nunca se deve dizer nunca ou que uma situação é 'irreversível'. Porque a única situação que é irreversível, para além do pagamento de impostos, é a morte".

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