Política

BE considera "brincadeira de muito mau gosto" tema para o Conselho de Estado

BE considera "brincadeira de muito mau gosto" tema para o Conselho de Estado

A coordenadora do Bloco de Esquerda Catarina Martins acusou, este domingo, o Presidente da República de fazer "uma brincadeira de muito mau gosto" ao convocar um Conselho de Estado para debater o "pós-troika" em vez da crise.

"Um Conselho de Estado que tem como tema o "pós-troika" e não a grave crise que as pessoas estão a atravessar, o desemprego galopante, os cortes nos salários, nas pensões, é passar ao lado daquilo que são as preocupações dos portugueses e é, portanto, uma brincadeira de muito mau gosto do Presidente da República", disse Catarina Martins.

"Se existisse alguma réstia de responsabilidade nalgum dos conselheiros de Estado, teria de sair [do Conselho de Estado de segunda-feira] uma forte exigência da demissão do Governo para que se possa dar um novo rumo ao nosso país", disse Catarina Martins, que falava aos jornalistas em Mértola, durante uma visita ao 7.º Festival Islâmico.

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O Presidente da República, Cavaco Silva, e os conselheiros de Estado reúnem-se na segunda-feira com o "pós-troika" na agenda, num encontro que também deverá ter em cima da mesa o Conselho Europeu de junho.

Questionada pelos jornalistas sobre o eventual corte de quatro por cento nos salários dos funcionários públicos, Catarina Martins acusou o Governo de ter "uma lógica de política de terror, ao anunciar, todas as semanas, novos cortes nos funcionários públicos e nos pensionistas, muito especialmente".

Trata-se de "uma política de terrorismo contra a própria população, e é por isso que a única solução para o país é, neste momento, a demissão do Governo, o mais urgentemente possível, porque a cada dia que passa é um dia em que destroem mais o país, em que impõem mais política de terror ao país", disse Catarina Martins.

A propósito do que classificou como "completo desgoverno", Catarina Martins considerou uma "dupla ofensa" ao país que, num momento "em que se cortam pensões e salários e se cria desemprego", o banco Banif, que "é detido em 99% pelo Estado", no qual "foi posto dinheiro dos contribuintes no valor de 1.100 milhões de euros", e que "só não foi à falência porque os contribuintes tiveram de o pagar", seja dado "um prémio de meio milhão de euros" a uma gestora.

Catarina Martins exigiu que o Governo se "pronuncie rapidamente" sobre o assunto e "não deixe que o prémio seja pago", porque "não se poder ter cortes nas pensões e nos salários, desemprego e [ao mesmo tempo] este regabofe daqueles que são os mais privilegiados deste país".

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