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BE critica nomeação de Catroga para a EDP

BE critica nomeação de Catroga para a EDP

O líder do BE afirmou, esta sexta-feira, que o Governo se transformou "numa loja de empregos" e criticou duramente a nomeação de Eduardo Catroga para o conselho de supervisão da EDP, acusando-o de "hipocrisia" e "cinismo" em relação aos portugueses.

Numa intervenção durante o debate quinzenal com o Governo, Francisco Louçã referiu-se ainda ao novo acordo assinado na Concertação Social para afirmar que existe "uma enorme hipocrisia" entre a aplicação das regras laborais aos trabalhadores e a administradores de empresas, referindo-se, sem nomear, a Eduardo Catroga.

"Deve lembrar-se de um conselheiro seu que recomendava, e está no programa de Governo, que se baixasse os salários a todos os portugueses, é claro que ele não estava a pensar em si próprio e não estava a antecipar que viesse a ganhar700 mil euros por um "part-time' de sete reuniões por ano", declarou.

Durante o debate, o BE distribuiu aos jornalistas várias tabelas com as presenças dos membros do conselho geral e de supervisão da EDP, onde pode ver-se que Catroga faltou a duas reuniões em três em 2011 e, em 2010, a três reuniões em sete.

"Imagine que se aplicava qualquer regra do trabalho, uma pessoa que falte duas em três reuniões, duas em três oportunidades que tem para trabalhar, o que é que lhe aconteceria se fosse um trabalhador? Inadaptação, despedimento? Ser-lhe-ia pago o ordenado?", ironizou o líder bloquista.

"Estado não é accionista da EDP"

Na resposta, o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, - que ironizou sobre Louçã regressar à "saga das nomeações" - rejeitou qualquer associação entre ter cartão partidário e ser nomeado para empresas públicas, referindo-se especificamente ainda ao caso de Catroga para sublinhar que o Estado já não é accionista da EDP.

"Vou voltar a dizer, o Governo não nomeou ninguém para a EDP, nem para a administração, nem para o conselho geral de supervisão. Pode inquirir os investidores privados portugueses, os estrangeiros, sobre opções que vão fazer para a EDP, perguntar a esses investidores e accionistas qual é o valor das remunerações que pretendem pagar aos seus futuros administradores e elementos do conselho geral, pode até perguntar quais são as regras que vão utilizar, além das que constam da lei portuguesa, para despedir qualquer administrador ou elemento do conselho geral", sugeriu Passos.

O chefe do Governo frisou que "o Estado não é accionista da EDP" e que a única participação que ainda detém foi porque "não pôde mobilizar 4 por cento de ações que estão nesta altura ligadas na Parpública a um empréstimo".

"O senhor deputado está a endereçar muito mal as perguntas e a concluir por hipocrisia e cinismo, que não existem deste lado", insistiu Passos.

"Joys [alegrias] for the boys"

Durante o debate, o líder do BE citou figuras do PSD - Marques Mendes e António Capucho - que criticaram as nomeações conhecidas até agora e voltou a apontar "baterias' à nomeação de Eduardo Catroga, substituindo a expressão "jobs [empregos] for the boys" por "joys [alegrias] for the boys".

"Quando esse administrador diz aos portugueses, cujos salários ele quer baixar, que a solução é todos ganharmos 700 mil euros e portanto pagarmos mais impostos e então o Estado vai recompor o seu défice e a economia vai recuperar, então percebemos a enorme hipocrisia em que se transformam tanto as nomeações como as respostas políticas. É esta forma de proceder, cinicamente, em relação à vida das pessoas, que não é aceitável", considerou.

Louçã ironizou ainda sobre as respostas de Passos Coelho e sobre a "duplicidade" existente nas nomeações: "Uma ministra do CDS nomeou agora a administração das Águas de Portugal e fê-lo com um sentido de equilíbrio que só pode ser elogiado, dois para o CDS, dois para o PSD. Quando, em contrapartida, um ministro do PSD nomeia administrações já não há este equilíbrio, veja a Caixa Geral de Depósitos, três para o PSD, ou quatro, um para o CDS, é uma situação de absoluto desequilíbrio, que choca o país".

"Eu bem sei que os representantes do Estado chinês quando chegaram à Portela tinham aquela ideia de que havia por aí um rapaz muito competente, que por acaso tinha sido conselheiro do primeiro-ministro, e que era mesmo a pessoa indicada para dirigir o conselho de supervisão da EDP, bem sei que foi assim, não tenho a menor dúvida, eles não tinham outra ideia senão encontrar aquele jovem promissor para um "part-time' tão prometedor".

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