Política

Bloco acusa troika de "inflexibilidade total" à realidade dos portugueses

Bloco acusa troika de "inflexibilidade total" à realidade dos portugueses

O BE Fazenda acusou esta quarta-feira os elementos da troika de serem "absolutamente insensíveis" à realidade dos portugueses e de manifestarem uma "inflexibilidade total", considerando que devem "assumir a responsabilidade" de o país estar "mais perto de um segundo resgate".

Os elementos da troika, composta pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), Banco Central Europeu (BCE) e pela Comissão Europeia, reuniram-se esta quarta-feira com alguns deputados da comissão eventual de Acompanhamento das Medidas do Programa de Assistência Financeira, no parlamento, no âmbito da oitava e nona revisões regulares.

Luís Fazenda, do Bloco, afirmou aos jornalistas à margem da reunião, que os membros da troika "não se pronunciaram praticamente sobre nada", o que significa que "vão manter exatamente a mesma linha de rumo"

Destacando que o défice vai ficar "muito acima do previsto" este ano e no próximo e a "crueldade social" que tem sido imposta aos portugueses, Luís Fazenda afirmou que os credores internacionais de Portugal são "absolutamente insensíveis a essa mesma realidade".

Quanto à adoção de um programa cautelar no período pós-troika, Luís Fazenda referiu que a missão continua a dizer que "o programa [de ajustamento] está bem", sublinhando que "o Governo português vai tentar flexibilizar".

Face a isto, os credores "compreendem que há essa necessidade, mas não haverá oscilações" da parte da troika", adiantou Luís Fazenda.

Para o deputado bloquista, "a troika vai ter de assumir as suas responsabilidades" por o país estar "mais perto de um novo resgate do que de um programa cautelar".

Na semana passada, o vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, disse no parlamento que o Governo defendeu, na sétima avaliação, que a meta do défice orçamental para 2014 fosse de 4,5% do Produto Interno Bruto (PIB) e não de 4%, opção defendida pela troika e que prevaleceu.

O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, por seu lado, disse que ainda não estava tomada nenhuma decisão sobre esta matéria.