Moção de censura

Bloco de Esquerda diz que Governo passou "a linha da indignidade"

Bloco de Esquerda diz que Governo passou "a linha da indignidade"

O líder do BE considerou hoje que o Governo passou "a linha da indignidade" com o novo aumento de impostos e "violou todos os contratos democráticos", desafiando os deputados da maioria a dizer que "isto vai resultar".

Durante o debate das moções de censura do BE e do PCP ao Governo PSD/CDS-PP, Francisco Louçã confrontou os social-democratas com o seu programa eleitoral que prometia redução de impostos e acusou os centristas de serem "o falecido partido do contribuinte" que "é hoje o partido do confisco e do esbulho".

"No programa do PSD lia-se o seguinte: O esforço será feito sem aumento de impostos, haverá redução de impostos para as empresas, para as famílias, haverá um aumento do investimento público, e a cereja em cima do bolo, tudo o que no programa propomos foi estudado, testado, ponderado, consequentemente as medidas que nele se apontam são para cumprir, violaram todos os contratos de confiança", criticou.

Para Louçã, "há uma única coisa agradecer" a Passos Coelho: "Nunca nenhum Governo criou tanto consenso em Portugal desde o 25 de Abril como o seu, nunca tanta gente por tão boas razões condenou o seu Governo, o senhor deve ser demitido".

Durante a intervenção do coordenador bloquista, a bancada do PSD exaltou-se ao ouvir que o executivo "não tem credibilidade internacional nenhuma" e que a dez dias do Orçamento do Estado "não faz a mínima ideia do que vai fazer, a não ser aumentar impostos".

"Senhores deputados, apertem os cintos de segurança que isto vai piorar", respondeu Louçã com ironia aos protestos da bancada "laranja', citando depois artigos do "Financial Times" e da revista "Economist" que criticam a atual situação portuguesa.

O líder do BE interpelou diretamente o primeiro-ministro sobre "porque é que não a disse aos portugueses" que era esta "a alternativa" para o país.

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"Porque é que não disse que era isto que queria, que era assim que resolvia os problemas, que era aumentando os impostos que conseguia recuperar a economia, se esta é a alternativa, então porque é não resulta, então porque é estamos mais pobres, porque é que temos mais dívida, tudo falhou e tudo falhou porque este Governo não tem credibilidade, tem uma coligação com ministros em guerra", acrescentou.

No seu discurso, Francisco Louçã acusou o Governo de com o aumento de impostos anunciado na quarta-feira ter ultrapassado a "linha que separa as dificuldades, o esforço, até os erros e os sacrifícios", da "indignidade".

"Ontem passámos essa linha da indignidade, sabemos que isto não pode resultar, haverá senhores e senhoras deputadas, alguém nesta sala, que se levante e diga isto vai resultar, isto vai bem, isto vai melhor?", interrogou.

"Os senhores deputados da direita estão sentados e aterrorizados porque sabem que nem o défice de 2012 conseguem resolver, há uma cornucópia de truques orçamentais para responder ao país", referiu Louçã.

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