10 de Junho

Cavaco alerta sobre preço a pagar por adiamento de entendimento partidário

Cavaco alerta sobre preço a pagar por adiamento de entendimento partidário

O presidente da República alertou, esta terça-feira, para o "preço muito elevado" que se poderá pagar se um entendimento partidário continuar a ser adiado, apontando o período até à discussão do Orçamento como o indicado para "o tempo de diálogo".

"Os desafios que temos diante de nós, de todos nós, só podem ser vencidos através de uma cultura de compromisso. Adiar por mais tempo um entendimento partidário de médio prazo sobre uma trajetória de sustentabilidade da dívida pública e sobre as reformas indispensáveis ao reforço da competitividade da economia é um risco pelo qual os portugueses poderão vir a pagar um preço muito elevado", afirmou o chefe de Estado, Aníbal Cavaco Silva, na sessão solene das comemorações do 10 de Junho, que decorreram na Guarda.

E, acrescentou, "o tempo de diálogo que se estende agora até à discussão do próximo Orçamento do Estado será o mais indicado para que as forças políticas caminhem no sentido da concretização do direito à esperança dos portugueses, numa perspetiva temporal mais ampla, situada para além de vicissitudes partidárias ou de calendários eleitorais".

Evitar "situação explosiva"

O presidente da República apontou 2014 como o ano em que Portugal conquistou "o direito a ter esperança", mas recomendou atenção para não se repetir uma "situação explosiva" e pediu para que se olhe o futuro sem "ilusões".

Recordando o "caminho duro" percorrido e os "tempos muito difíceis" vividos até à conclusão do programa de assistência financeira em maio, Cavaco Silva alertou para a necessidade de se ter "uma noção muito clara de duas realidades que não podem ser iludidas": a necessidade de atenção e vigilância, nomeadamente em matéria de disciplina das contas públicas e de controlo do endividamento externo, e a importância de olhar para o futuro "sem triunfalismos ou ilusões".