Política

Cavaco diz que debate sobre papel do Estado deve ser uma preocupação permanente dos políticos

Cavaco diz que debate sobre papel do Estado deve ser uma preocupação permanente dos políticos

O Presidente da República afirmou, esta terça-feira, que "a reflexão sobre o papel do Estado" deve ser "uma preocupação permanente dos agentes políticos" e que "se se colocar" esse debate devem ser convocados todos os partidos e a sociedade.

"Se se colocar com urgência a necessidade de um debate aprofundado sobre o papel do Estado, então temos de convocar todas as forças políticas e a sociedade portuguesa em geral", afirmou Aníbal Cavaco Silva.

O chefe de Estado falava aos jornalistas à margem da inauguração de um hotel em Lisboa, depois de questionado sobre se concorda que é necessário "refundar" o papel do Estado, como tem defendido o Governo.

Segundo o Presidente da República, "a reflexão sobre o papel do Estado" e "o que significa a forma como o Estado afeta os recursos disponíveis do país" deve ser "uma matéria de preocupação permanente dos agentes políticos e é um debate da maior importância".

Cavaco considerou que o entendimento entre as várias forças políticas sobre este assunto "não é fácil", mas salientou que "neste momento o que eventualmente se está a fazer são apenas estudos técnicos e não mais que estudos técnicos".

"É uma matéria que precisa de um entendimento entre as forças políticas, sem dúvida, mas como eu disse, essa deve ser uma preocupação permanente dos governantes e dos agentes políticos", acrescentou.

A propósito da reflexão sobre o papel do Estado, o Presidente da República afirmou que "se se avançar nas decisões políticas" essa "compete aos portugueses", porque "são os portugueses que resolvem os seus próprios problemas".

PUB

O chefe de Estado referiu ainda que o encontro que teve hoje com o líder do PS, António José Seguro, aconteceu "no quadro dos contactos regulares" e foi "bastante frutuoso": "Sou um grande defensor do diálogo entre os órgãos de soberania e as forças políticas e com os parceiros sociais".

Sobre a divergência manifestada pelo PS quanto a esta reforma do Estado, Cavaco disse não querer comentar "as decisões que os partidos tomam" e que "não o deve fazer", porque "neste tempo o Presidente da República tem de ser muito ponderado, ter muito bom senso, e analisar tudo com um critério muito, muito, cuidadoso".

"Compreendam que eu ouça os dirigentes partidários, normalmente são conversas confidenciais, mas que são da maior utilidade para o Presidente da República", afirmou.

Já interrogado se concorda ou não com o corte de 4.000 milhões na despesa que o Governo tem referido, o chefe de Estado disse que "não é uma questão de concordar ou deixar de concordar".

"Esse número, eu não posso dizer se ele está certo ou não, penso que se relaciona com números revelados pelo FMI apontando para uma dimensão da dívida pública em relação ao PIB bastante elevada e também aos juros que é preciso pagar em cada ano, que andam nos próximos anos na ordem dos 10 a 11 por cento da despesa total do Estado", disse.

Questionado sobre a ausência de declarações públicas da sua parte nas últimas semanas, Cavaco Silva respondeu: "O que não falta em Portugal são apetites por protagonismo mediático, pode faltar trabalho, eu prefiro o trabalho".

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG