Política

Cavaco vê vantagens em programa cautelar

Cavaco vê vantagens em programa cautelar

Mais do que um pedido, o chefe de Estado deixou esta quarta-feira, no discurso de Ano Novo, uma exigência de consenso entre os agentes políticos e sociais para o pós-troika e, sobretudo, em torno de um programa cautelar.

Menos "cálculo eleitoral" e "estratégias partidárias" e mais "bom senso" e "sentido patriótico de responsabilidade". Cavaco Silva usou grande parte da mensagem de Ano Novo para deixar recados aos partidos políticos e aos agentes sociais, em particular aos socialistas.

"Estou firmemente convicto de que o crescimento da nossa economia, a criação de emprego e as condições de vida dos portugueses no período pós-troika beneficiariam de forma decisiva se fosse estabelecido um compromisso político de médio prazo em torno de grandes objetivos nacionais e de políticas públicas essenciais ao nosso futuro", afirmou o presidente da República, lembrando que, em julho, após a crise política que quase fez colapsar o Governo, propôs, sem êxito, um "compromisso de salvação nacional".

A "realidade diferente"

Não foi bem sucedido, mas continua a acreditar que é no diálogo e na concertação que está a chave para consolidar o crescimento da economia e, ao mesmo tempo, "conter a austeridade a que o país tem estado submetido".

E além de expor os malefícios de um segundo resgate, refere-se a um eventual programa cautelar como uma "realidade diferente". Acredita mesmo que há "razões para contar com o apoio dos parceiros europeus no acesso aos mercados financeiros". Ao dizê-lo desta forma, Cavaco passa uma mensagem de tranquilidade ao Governo, que tem admitido a possibilidade de um programa cautelar, e "tira o tapete" ao líder do PS, que tem defendido que Portugal saia do ajustamento sem qualquer nova ajuda externa, a exemplo do que fez a Irlanda.

Recorde-se que o ministro da Economia, Pires de Lima, chegou a afirmar, em outubro, que o Governo queria negociar com Bruxelas um programa cautelar nos primeiros meses de 2014. O primeiro-ministro, em entrevista à TVI e TSF, há pouco mais de duas semanas, admitiu que, tendo o programa a duração de um ano, caberia na sua legislatura e que, por isso, a decisão não precisava de ser "caucionada pelo PS". Tudo indica que a decisão sobre esta matéria será discutida nas reuniões do Eurogrupo do final deste mês.

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OE sem reparos

Mas, Cavaco Silva insiste no envolvimento de todos os partidos. Para já, traçou como prioritário fechar com êxito o programa de ajustamento financeiro. "Este é um objetivo fulcral, que tem no Orçamento do Estado para 2014 um instrumento da maior relevância", disse.

Sem adiantar se vai ou não pedir a fiscalização sucessiva do documento - pode fazê-lo até ao próximo dia 6 -, acabou por deixar subentendido que não levará o orçamento ao Constitucional. Serão, portanto, os partidos da Oposição a tomar essa iniciativa, como já anunciaram.

Cavaco Silva, que começou o discurso com votos de que o novo ano seja "um tempo de esperança", fez ainda referência à emigração jovem, aos desempregados mais velhos e aos portugueses "afetados pela crise de forma dramática". E enalteceu a "coragem e o grande sentido de responsabilidade" dos que, na rua, defendem "uma distribuição mais justa dos sacrifícios".

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