Política

CDS-PP faz cedência nas pensões e mantém coligação do Governo

CDS-PP faz cedência nas pensões e mantém coligação do Governo

Terminou a reunião extraordinária do Conselho de Ministros convocada, este domingo, por Pedro Passos Coelho. O clima entre os partidos que formam o Governo foi tenso, mas coligação mantém-se.

No final da reunião do Conselho de Ministros, fonte oficial do Governo adiantou ao JN que "o CDS aceitou que excepcionalmente pudesse vir a ser considerada a introdução de uma contribuição de sustentabilidade sobre as pensões".

Fica assim afastada a crise política e garantido o fecho da sétima avaliação da troika.

"O Conselho de Ministros reuniu para se inteirar da conclusão dos trabalhos relativos ao 7º exame regular e confirmar as condições necessárias ao seu fecho, de modo a que o senhor ministro de Estado e das Finanças possa delas dar nota nas reuniões que amanhã se iniciam em Bruxelas, do ECOFIN e do Eurogrupo", refere a nota emitida no final da reunião.

O JN apurou que o encontro foi tenso. Apesar das divergências, os partidos da coligação chegaram a um entendimento e irão manter-se no Governo.

A reunião extraordinária do Conselho de Ministros terminou perto das 18 horas, ao fim de três horas.

Outra fonte governamental indicou à Lusa que o Conselho de Ministros alcançou solução "significativamente diferente" da que estava prevista "no início da sétima avaliação" da troika.

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Anteriormente, apontou a fonte, "estava previsto que o Governo se comprometia a tomar a medida da TSU [Taxa Social Única] dos pensionistas", mas hoje, em Conselho de Ministros, o executivo comprometeu-se em adotar a medida "como último recurso" e apenas "se for necessário".

A mesma fonte salientou que na reunião do executivo "todos os ministros assumiram o compromisso de fazer tudo para evitar que esta medida seja tomada".

A 5 de maio, o presidente do CDS-PP, Paulo Portas, disse não concordar com a nova contribuição sobre pensões e adiantou que o Governo ia negociar com a 'troika' para encontrar medidas de redução da despesa do Estado equivalentes.

"O primeiro-ministro sabe e creio ter compreendido que esta é a fronteira que não posso deixar passar", afirmou então o líder centrista numa conferência de imprensa na sede do CDS-PP sobre as medidas de austeridade anunciadas dias antes pelo chefe do Governo, Pedro Passos Coelho.

"O acordo [do Governo] foi o de procurar medidas suplementares sobretudo na despesa do Estado consigo próprio para permitir, como diz a carta do primeiro-ministro à 'troika', apresentar medidas de valor superior, ganhar margem de manobra e procurar que o resultado final seja mais justo e mais equilibrado", declarou na mesma altura Paulo Portas, já em resposta às perguntas dos jornalistas.

Portas, que é ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, considerou que a contribuição adicional para os pensionistas seria "problemática" e teria efeitos sociais nefastos num país "em que grande parte da pobreza está nos mais velhos" e onde há "avós a ajudar os filhos e a cuidar dos netos".

"Não quero que em Portugal se verifique uma espécie de cisma grisalho, que afetaria mais de três milhões de pensionistas, uns da Segurança Social, outros da Caixa Geral de Aposentações, quero, queremos todos no Governo, uma sociedade que não descarte os mais velhos, quero, queremos todos no Governo, um ajustamento que não prejudique sobretudo os que não têm voz", enfatizou Portas na conferência de imprensa de há uma semana.

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