Política

Confederação do Comércio critica "aumento global da carga fiscal"

Confederação do Comércio critica "aumento global da carga fiscal"

O presidente da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP), João Vieira Lopes, considerou hoje que as medidas anunciadas pelo primeiro-ministro, Passos Coelho, refletem "um aumento global da carga fiscal" que vai penalizar o rendimento das famílias.

"Estas medidas vão levar a uma nova contração da procura com consequências na continuação do encerramento de empresas e de crescimento do desemprego, em particular no comércio e serviços", disse à agência Lusa o dirigente patronal.

Segundo a CCP, "o eventual aumento da competitividade externa, que está por provar, dado o peso dos custos do trabalho nas exportações ser em média de apenas 15 por cento do total, não vai de forma nenhuma compensar a quebra global do mercado interno".

Vieira Lopes referiu também que Passos Coelho falou "muito pouco da despesa" e foi "demasiado genérico" em relação aos custos de contexto.

"O problema central do financiamento à economia, nomeadamente do investimento, não foi considerado, pelo que não se entende como poderá ser relançada a economia e criar condições para baixar o desemprego", concluiu.

O primeiro-ministro anunciou hoje ao país que os pensionistas vão continuar sem subsídios de natal e férias e que os funcionários públicos vão manter-se com um dos subsídios suspenso e o outro será reposto de forma diluída nos 12 salários, apenas para ser retirado de novo através do aumento da contribuição para a Segurança Social de 11 para 18 por cento.

Os trabalhadores do setor privado perderão, na prática, um subsídio através do aumento da contribuição para a Segurança Social, que nas contas do Governo corresponde ao equivalente a um dos subsídios.

A declaração do primeiro-ministro em São Bento surge numa altura em que a quinta avaliação do Programa de Assistência Económica e Financeira (PAEF) pela 'troika' se aproxima do fim, e como forma de contornar a decisão do Tribunal Constitucional em declarar inconstitucional para 2013 os cortes nos subsídios apenas para pensionistas e funcionários públicos.