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Confrontos lembram Europa que Portugal "também tem limite para o sacrifício", diz Seixas da Costa

Confrontos lembram Europa que Portugal "também tem limite para o sacrifício", diz Seixas da Costa

O embaixador de Portugal em França, Francisco Seixas da Costa, considerou esta quinta-feira que os confrontos de quarta-feira junto ao parlamento, em Lisboa, podem fazer a Europa perceber que "Portugal também tem um limite para o sacrifício".

"Talvez o que aconteceu possa fazer perceber à Europa que Portugal também tem um limite para o sacrifício", declarou Francisco Seixas da Costa à agência Lusa.

E esse limite, acrescentou, "não obstante [esteja] a ser interiorizado pela esmagadora maioria da população com um grande sentido de compromisso, pode e tem condições para criar situações de rutura graves".

O diplomata, que foi secretário de Estado dos Assuntos Europeus entre 1995 e 2001, nos governos de António Guterres, considerou ainda que os episódios de contestação violenta às políticas de austeridade por toda a Europa parecem indicar a necessidade de a ajuda externa "evoluir no sentido de evitar que a austeridade marque o quotidiano de uma forma insuportável".

"Eu pergunto-me se também o caso português não pode ajudar a que as autoridades europeias possam vir a considerar uma flexibilização maior dos mecanismos globais, que podem atenuar o sentimento de sacrifício e de austeridade que hoje se passa por todo o continente, e em particular por este tipo de sociedades que sofreram efeitos diferenciados da crise financeira", afirmou.

Francisco Seixas da Costa disse ainda esperar "que as autoridades em Bruxelas leiam este tipo de sinais na devida medida", com "consideração pela preocupação que todos partilhamos em Portugal relativamente à nossa própria situação", e argumentou que o país está a fazer "o trabalho de casa com rigor, com sacrifício".

O embaixador em Paris espera que o que aconteceu na quarta-feira "seja um caso isolado e controlado", destacando o "especial cuidado" das entidades que promoveram manifestações em Portugal nos últimos meses "em evitar que [os protestos] degenerassem".

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"Mas como vemos em todos os locais do mundo, é sempre impossível evitar que meia dúzia de pessoas possam ir um pouco mais longe. Há que controlar esse tipo de derivas, há que isolar aquilo que são as manifestações genuínas, com sentido cívico, daquilo que são atos de violência e de distúrbio", acrescentou.

Na quarta-feira, junto à escadaria da Assembleia da República, elementos do corpo de intervenção da PSP carregaram sobre alguns manifestantes. Antes da investida, a polícia foi apedrejada e deu, sem êxito, ordens à multidão para que dispersasse.

Dos confrontos resultaram várias dezenas de feridos, entre manifestantes e polícias.

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