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Conselheiro não aceita encerramento de vice-consulados

Conselheiro não aceita encerramento de vice-consulados

O presidente do Conselho Permanente das Comunidades Portuguesas, Fernando Gomes, afirmou esta quinta-feira, em Macau, que a decisão do Governo de encerrar embaixadas "até se compreende", mas defendeu que o caso dos vice-consulados "é completamente diferente".

Para Fernando Gomes, a decisão por parte do Governo de encerrar sete embaixadas, anunciada na passada quarta-feira, no Parlamento, pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, "até parece ser justificada", por se tratarem de países com "menor expressão de emigração ou de presença de comunidades portuguesas mas, a nível dos vice-consulados, a situação é completamente diferente", advogou.

Frankfurt, Lille ou Clermont-Ferrand são cidades que "têm um peso de comunidade bastante grande", argumentou Fernando Gomes, ao realçar que, no caso dos vice-consulados, "há uma aproximação muito mais directa junto das comunidades".

"Penso que isso não faz sentido", disse, ao referir que as informações que detém em relação ao caso de Frankfurt, por exemplo, são as de que "funciona com pouca gente", o que representa "custos irrisórios", e que "tem prestado um serviço para dezenas de milhares de pessoas".

Para o conselheiro é possível "cortar noutras vertentes", até porque "a diplomacia muitas vezes cobra-se de uma forma indirecta. Não é pelo investimento e lucro imediato porque, se for assim, estamos feitos", apontou, indicando que então "não vale a pena investir na cultura" porque não se tiram lucros imediatos, mas antes "dividendos a longo prazo".

As embaixadas portuguesas que vão ser desactivadas são Andorra, Bósnia-Herzegovina, Estónia, Letónia, Lituânia, Malta e Quénia, sendo que a jurisdição do vice-consulado de Frankfurt, na Alemanha passará para Estugarda, Osnabruck para Dusseldorf, a de Clermont-Ferrand, em França, para Lyon e a de Nantes para Paris. Já o escritório consular de Lille será transferido para Paris.

"Nunca é agradável fechar as coisas sem consultar as comunidades locais", disse Fernando Gomes. "Gostaríamos que o Governo também democraticamente respeitasse as opiniões", que "nos deixasse ter um papel democrático, porque até agora não temos tido", acrescentou o responsável.

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"O Governo decide, tem a faca e o queijo na mão e, naturalmente, chega a uma altura em que a comunidade também só se aproxima do país se quiser, mas penso que não é com política de costas voltadas que se leva a bom termo uma correspondência democrática", disse. "É um mau princípio", rematou.

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