Política

Costa esquece um terço do PS no discurso da vitória

Costa esquece um terço do PS no discurso da vitória

Em sete minutos de discurso, Costa avisou o Governo ao que vem e destacou os seus 39 anos de militância no PS. Mas esqueceu Seguro e um terço do partido. Logo agora que outras batalhas se avizinham no PS.

Perante um Fórum Lisboa galvanizado pela banda sonora de "Alexandre, o Grande", António Costa decidiu fazer a fuga em frente no seu discurso, pouco mais fazendo que alertar Passos para as dores de cabeça que lhe estão prestes a bater à porta.

Saído de uma disputa interna que - ao contrário da imagem que tentou passar nos sete minutos em que falou - parece deixar feridas expostas, o socialista não se dirigiu aos 30% que não lhe deram o voto e muito menos tocou no nome do adversário.

"Este é o primeiro dia de uma nova maioria de Governo. É o primeiro dos últimos dias deste Governo", atirou para o Executivo PSD/CDS, perante uma plateia eufórica, constituída maioritariamente por autarcas socialistas da capital.

Segundo Costa, os últimos três meses permitiram ao PS reencontrar-se "com a sua identidade" e não acabaram com "a derrota de ninguém". Porém, o próprio não digeriu ataques recentes, quando, ao pisar o palco, lançou um cravo aos apoiantes. "É vosso", criticando sub-repticiamente um vídeo de campanha de Seguro, em que o secretário-geral do PS criava um cravo, vinha Costa e cortava-o, para o colocar na lapela.

"Hoje saímos daqui mobilizados e unidos. E concentrados no nosso dever de sermos a Oposição que este Governo merece e a alternativa de que Portugal precisa", disse, ladeado por Manuel Alegre, Carlos César, Ana Catarina Mendes e Ferro Rodrigues, destacando ainda a militância de 39 anos.

Concluiu a agradecer aos filhos e à mulher, com quem chegou ao Fórum Lisboa - espaço aliás onde as palavras de união dos socialistas proferidas por Costa não tiveram espelho. Aquando do discurso de Seguro a única televisão teimou em não ter som. À exceção do esforço da deputada Elza Pais, que procurava uns quaisquer botões que permitissem ouvir, a plateia optou por sobrepor-se: "É Costa, é Costa. É de quem o povo gosta!".

Uma hora depois, o grande vencedor da noite abandonou o local rumo ao Rato, tal como uma personagem do filme "A Vila", onde a máxima "Aqueles de quem não falamos" acabava em sangue; Costa também não quis falar de quem, do outro lado, se demitia da liderança quer do partido, quer da bancada parlamentar. Ou ainda de um terço do partido.

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