PS

Costa quer maioria plural e amarra Esquerda a acordos

Costa quer maioria plural e amarra Esquerda a acordos

António Costa afirmou, este domingo, em Lisboa, que quer "uma maioria plural e aberta" num próximo governo socialista, que dinamize a concertação social mas também "compromissos políticos".

Neste âmbito, afastou uma solução do "arco da governação" que envolva uma Direita marcada por "algum radicalismo", desafiando, sim, os partidos à Esquerda do PS a fazerem parte da solução e prometendo forçá-los a sair da situação "cómoda de protesto".

Deixando claro, no encerramento do congresso socialista, que a ambição do PS para as próximas legislativas é a maioria absoluta como garantia de uma ação política coerente e de estabilidade, ressalvou, porém, que não a pretende a qualquer custo. Desde logo, afirmou que "não é possível ser alternativa às atuais políticas" com quem quer prossegui-las.

"O pior que pode acontecer a uma democracia é quando se gera um enorme empastelamento, quando existe um pântano no qual ninguém se diferencia" e "tudo é farinha do mesmo saco", criticou o líder socialista. E "quando há esta confusão, o que nós alimentamos não é a democracia, o que nós alimentamos são os extremismos, radicalismos" que "são ameaças à democracia".

No entender de António Costa, "todos os dias há mais um exemplo" de como aquilo que distingue o PS dos partidos da maioria "não é só uma questão de estratégia económica. Não é uma questão de prioridades. Há cada vez maior fosso ideológico, cultural e, diria até, civilizacional, com algum radicalismo desta Direita".

Insistindo nas críticas à Direita, disse que "não podemos viver em permanente instabilidade" e "numa ação governativa paralisada com divergências entre parceiros da coligação". E o país, no estado em que se encontra, não pode estar " 50 ou 80 e tal dias à espera de uma coligação". A propósito, voltou a apontar o dedo ao calendário fixado para as legislativas, avisando que Cavaco Silva vai ficar "muito limitado na sua ação" relativamente ao Governo.

Costa considera que não devemos acrescentar à incerteza do país uma "incerteza política". Além disso, nas eleições do próximo ano, "os portugueses não devem renunciar a serem eles próprios, com o seu voto, a decidirem quem governa, como governa, com que programa governa, não deixando aos jogos partidários a arbitrariedade de formar um novo governo".

PUB

No que toca aos acordos que está disposto a fazer, vincou que "ninguém é autosuficiente na governação" e que "o país precisa tanto de maioria como de compromissos sólidos e duradouros".

"Queremos uma maioria plural e aberta" que "dinamize a concertação social mas também compromissos políticos" que, por sua vez, consolidem a estratégia do PS para a próxima legislatura.

A este respeito, disse que não quer "alimentar tabus", insistindo na recusa do "conceito do arco de governação". Por outro lado, "não excluiremos os partidos à nossa esquerda", garantiu, avisando, porém, que não podem limitar-se a serem forças de protesto.

"É mesmo mais cómodo estar do lado do protesto do que da solução, mas não contarão com o PS para vos ajudar a manterem-se nessa situação cómoda", avisou, adiantando que vai puxar partidos como o PCP e o BE a "virem trabalhar para a solução".

Neste âmbito, elogiou o partido Livre, presente no encerramento do congresso, por "romper o bloqueio da incomunicabilidade à esquerda" e o mito de que não pode haver acordos de governação na Esquerda.

"Um pesadelo" chamado Cavaco

Já sobre as eleições presidenciais, que se realizam em 2016, elogiou as escolhas feitas pelo PS no passado no que toca aos candidatos a apoiar. Após considerar que Cavaco Silva "é um pesadelo para os portugueses" e "um sonho da Direita", motivando uma onda de apupos ao chefe de Estado, Costa manifestou a total disponibilidade e empenho do PS "em contribuir para a eleição de um presidente da República que, saindo das fileiras do PS ou da área política" deste partido "renove o orgulho que todos tivemos nas presidências exemplares de Mário Soares e Jorge Sampaio".

O primeiro embate será, porém, destronar o legado de Alberto João Jardim na Madeira. "São eleições regionais que se vão realizar em circunstâncias muito especiais. Pela primeira vez, vamos ter um novo adversário na disputa do Governo da Madeira", sublinhou Costa, manifestando todo o apoio ao socialista Vítor Freitas.Será, portanto, "uma grande batalha" a de "levar à Madeira também a experiência da governação socialista".

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG