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Demitir o Governo é "prioridade das prioridades" para nova liderança do BE

Demitir o Governo é "prioridade das prioridades" para nova liderança do BE

A nova coordenadora bloquista Catarina Martins apontou, este domingo, como "prioridade das prioridades" a demissão do Governo e apelou à mobilização dos cidadãos na defesa dos serviços públicos para "reconfigurar o espaço político" e construir "alternativa".

"Demitir o Governo e abrir o caminho para um governo de esquerda contra a 'troika' é a voz desta Convenção, é por ela que vamos dar tudo", afirmou a nova líder do BE Catarina Martins quase no final da sua primeira intervenção à frente do cargo que vai ocupar em conjunto com João Semedo.

No encerramento da VIII Convenção do BE, ao longo de um discurso de cerca de trinta minutos, a deputada bloquista referiu por quase dezena de vezes a necessidade de demitir o executivo PSD/CDS-PP que "não cumpre compromissos em nome dos quais impõe sacrifícios, falhou na dívida e no défice, não cumpre compromissos eleitorais, nem os compromissos básicos da democracia e da decência".

"Continuar sempre", diz João Semedo

O novo coordenador do Bloco, João Semedo, que divide com Catarina Martins e liderança do BE, emocionou-se ao evocar os fundadores Francisco Louçã, Luís Fazenda, Fernando Rosas e Miguel Portas.

"Houve um começar de novo, agora dizemos continuar sempre - e é isso que todos faremos", declarou João Semedo no discurso que encerrou a VIII Convenção do Bloco de Esquerda, que se seguiu ao da deputada Catarina Martins, com quem passará a partilhar a coordenação da sua força política nos próximos dois anos.

No discurso, o novo coordenador do Bloco de Esquerda quis vincar bem o legado dos quatro fundadores deste partido, Miguel Portas, Fernando Rosas, Luís Fazenda e Francisco Louçã, considerando que eles, em conjunto, conseguiram rasgar rotinas, deitar fora ideias feitas, ultrapassar velhos hábitos, vencer incertezas e superar "todos os limites de uma entrega sem limites a um desafio, uma visão, uma ideia, um projeto".

Depois, quando se referiu em particular a Miguel Portas, João Semedo emocionou-se: "São para eles estas palavras, sabendo todos como se nos rasga o coração por o Miguel não estar aqui para as ouvir".

Mas João Semedo fez também questão de salientar a ideia de que as palavras que dirigia aos fundadores do Bloco não podiam ser entendidas como uma despedida.

"Não são uma despedida, porque o Fernando [Rosas], o Luís [Fazenda] e o Francisco [Louçã] não estão de saída nem se perderão por aí, eles ficarão por aqui, porque eles são daqui, porque é aqui que está a sua gente, porque é por aqui que passa a nossa luta", disse.

Perante a VIII Convenção do Bloco de Esquerda, João Semedo defendeu que a sua força política foi decisiva no triunfo de causas como a procriação medicamente assistida, o aumento da paridade na vida política, na legalização do casamento homossexual, no fim da criminalização da toxicodependência, na despenalização do aborto e na aprovação pelo Parlamento da criminalização do enriquecimento ilícito" (lei depois considerada inconstitucional pelo Tribunal Constitucional).

"Valeu a pena a ambição e a coragem de agitar, inquietar, mudar, transformar, revolucionar a política portuguesa, contra o pântano do centrão, contra a alternância sem alternativa, contra a modernização conservadora, contra o dogmatismo e o sectarismo", acrescentou João Semedo, recebendo uma prolongada ovação da plateia.