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Deputada do PSD diz que adoção por casais do mesmo sexo é questão de direitos humanos

Deputada do PSD diz que adoção por casais do mesmo sexo é questão de direitos humanos

A deputada social-democrata Mónica Ferro afirma que votará favoravelmente os diplomas sobre adoção e co-adoção por casais do mesmo sexo, considerando estarem em causa direitos humanos e não uma divisão entre esquerda e direita.

Na sexta-feira, em plenário, na Assembleia da República, são discutidos e votados um projeto do PS que pretende consagrar a possibilidade de co-adoção pelo cônjuge ou unido de facto do mesmo sexo, dois diplomas do Bloco de Esquerda que permitem a adoção de crianças por casais do mesmo sexo e um outro do Partido Ecologista "Os Verdes" (PEV) que alarga as famílias com capacidade de adoção.

Neste grupo de diplomas, o projeto sobre co-adoção, que tem como primeira subscritora a deputada socialista independente Isabel Moreira, é aquele que reúne maiores probabilidades de ser aprovado, já que poderá contar com mais de 20 votos favoráveis entre deputados do PSD, além do apoio da esquerda parlamentar.

Mónica Ferro, coordenadora da bancada do PSD para as questões de Negócios Estrangeiros, afirmou à agência Lusa que votará a favor dos projetos do Bloco de Esquerda, PEV e PS por entender estarem em causa questões "fundamentais como a consideração do superior interesse da criança, que é o seu direito a ter uma família, e porque não pode ser pela orientação sexual de quem pretende adotar que se pode aceitar ou recusar um processo de adoção".

"Na sociedade portuguesa já está feita a consciencialização de que não há uma família, mas antes famílias. Temos de estar abertos aos novos modelos que permitem realizar o superior interesse da criança. Entendo que está em causa a igualdade de dignidade de todos perante a lei", sustentou a deputada do PSD.

Nas declarações que fez à agência Lusa, Mónica Ferro criticou a conceção de que a questão da adoção por casais do mesmo sexo divide em blocos distintos esquerda e direita.

"Grande parte da minha campanha nestas matérias tem a ver como o facto de não haver temas de esquerda e de direita. Os temas de direitos humanos, os temas sociais, os temas de dignidade são de esquerda e são de direita. Estamos perante um tema de todos os portugueses, que deve ser acolhido por todos os deputados", advogou.

Em relação ao projeto sobre co-adoção, Mónica Ferro observou que esse diploma, "como parte do princípio da existência de uma vinculação entre a criança e um dos elementos do casal, é mais facilmente aceite por pessoas que têm uma visão conservadora em relação à adoção por casais do mesmo sexo".

Questionada sobre o ambiente interno dentro do PSD face às suas posições nestas matérias, Mónica Ferro disse sentir-se "muito compreendida".

"O PSD é um partido humanista e progressista, que sempre deixou conviver pessoas com leituras distintas em relação ao tempo social e às realidades sociais", vincou a docente universitária.

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