Política

Dispersão de votos impede PS de ganhar velocidade para 2015

Dispersão de votos impede PS de ganhar velocidade para 2015

Vitória socialista aquém das expectativas, em parte por causa do avanço da CDU e da entrada de leão de Marinho Pinto. PS não aproveita abalo da Direita para disputar as legislativas na "pole position". »»» Conheça os deputados portugueses eleitos »»» Leia também Frente Nacional provoca terramoto político em França e veja a composição do Parlamento Europeu, que pela primeira vez vai ter um representante do partido neonazi alemão.

Há eleições assim, em que a uma derrota de grande dimensão não corresponde uma vitória esmagadora. Coligada, a Direita registou o pior resultado de sempre em europeias, abaixo dos 31,1% do PSD em 1999, tendo Pacheco Pereira como cabeça de lista, mas o PS não conseguiu assumir-se na plenitude como merecedor do voto útil. A fragmentação do eleitorado penalizou os partidos que subscreveram o pedido de assistência financeira externa, que (também) esteve em discussão na campanha. Em conjunto, recuaram de 66,6% para menos de 60%.

Rostos ocasionais da austeridade, Paulo Rangel e Nuno Melo provaram valer menos juntos do que separados - em 2009, a soma de PSD e CDS superou os 40%. No entanto, o resultado dos socialistas não é suficientemente robusto para abalar o Governo.

É certo que António José Seguro soma a segunda vitória depois das autárquicas. E pode até admitir-se que Francisco Assis tem razão, quando afirma que o país já se reconciliou com o partido. Mas daí a falar-se em "novo ciclo" vai uma distância enorme. Certo é que a entrada de José Sócrates na campanha teve pouco impacto: não assustou o eleitorado, como desejaria a Aliança Portugal, nem representou o valor acrescentado em que o PS apostava.

Maior percentagem do que em 2009, mais eleitos e, sobretudo, mais votos em termos absolutos, apesar do aumento da abstenção, tal como nas autárquicas: os comunistas figuram entre os vencedores, sendo mesmo os mais votados no distrito de Beja. Melhor do que João Ferreira, só Carlos Carvalhas em 1989 (14,4%). Assim de compreende o peito cheio de Jerónimo de Sousa. O anúncio da apresentação de uma moção de censura ao Governo deixou o PS engasgado.

Embora vaticinada pelas sondagens, a eleição de Marinho e Pinto fica na história. Com poucos meios e escassa cobertura mediática na campanha, superou o BE. À sombra do ex-bastonário dos advogados, o MPT multiplicou por dez a sua votação, tornando-se terceira força nas ilhas e em seis distritos do Continente. Às 1.45 horas desta segunda-feira, o Parlamento Europeu dava por adquirida a eleição do n.0º 2 da lista. À atenção dos grandes partidos...

Pela porta pequena sai o Bloco de Esquerda. Se houve voto útil, no campo anti-troika, concentrou-se na CDU. E é inegável que os 70 mil votos no Livre e os cerca de 12 mil no MAS saíram do redil bloquista - e dificilmente são recuperáveis. De três eleitos, resta Marisa Matias. Nada de comparável com o que aconteceu na Grécia com o Syriza, que inspirava o partido de Catarina Martins e João Semedo.

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