Política

Eduardo Catroga diz que Portugal deve "estar agradecido" a Vítor Gaspar

Eduardo Catroga diz que Portugal deve "estar agradecido" a Vítor Gaspar

O antigo ministro das Finanças Eduardo Catroga diz que o país deve estar agradecido a Vítor Gaspar, considerando que a sua substituição nada resolve, apesar de reconhecer erros na estratégia que tem prosseguido.

O antigo ministro de Cavaco Silva defende, ainda, em entrevista à Lusa, que o Governo deveria ter renegociado o programa de ajustamento com a "troika" no final do primeiro ano, considerando que as bases em que assenta o memorando estão incorretas.

Eduardo Catroga diz que esta negociação devia ter sido feita ao fim de 9/12 meses, que o Governo devia ter defendido inicialmente junto da 'troika' que os pressupostos do programa estavam errados para ter capital de queixa e diz ainda que faltou habilidade ao Governo para gerir este processo.

Numa sessão de perguntas rápidas, a Lusa perguntou a Eduardo Catroga o que pensa sobre várias pessoas e assuntos, a começar por Vítor Gaspar, Ministro das Finanças.

"Acho que o país lhe deve estar agradecido, pelo esforço que tem feito no sentido de criar condições de sustentabilidade das finanças públicas, com muitas incompreensões, com erros de comunicação, com erros de gestão das expectativas, mas qualquer ministro das finanças nesta situação seria objeto de crítica", disse Eduardo Catroga.

"A substituição do ministro das Finanças, por si, nada resolve", argumenta o ex-ministro de Cavaco Silva. "Ele [Vítor Gaspar], no fundo, tem feito um trabalho que era necessário, embora incompleto do lado da despesa e exagerado do lado dos impostos", acrescentou Eduardo Catroga.

Sobre o presidente da República, Catroga considerou que Cavaco "não pode obrigar ninguém" a fazer alianças, agora "pode sim procurar criar condições nos bastidores e penso que é isso que ele tem tentado fazer".

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Eduardo Catroga diz que o "CDS-PP é um partido da coligação que às vezes está com um pé dentro e outro fora" e considera que o "PS aproveitou a pouca habilidade do Governo em setembro com a questão da Taxa Social Única para saltar do barco, o barco que afundou".

A perspetiva de eleições antecipadas, considerou que "o País deve estar primeiro e portanto o PS também não tem muitas alternativas".

"Qual é a alternativa, provocar uma crise política? Não estou a ver que, por hipótese, um cenário de novas eleições altere significativamente o quadro eleitoral. O primeiro pode passar para segundo, o segundo para primeiro. O PS se fosse o primeiro nesse novo cenário não iria fazer muito diferente do que faz o atual Governo sem uma renegociação global com a 'troika' e com os parceiros e para isso precisaria também dos outros partidos do arco do poder", argumenta Eduardo Catroga.

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