Política

Fernando Ruas considera "inoportunas e infelizes" declarações de Miguel Relvas

Fernando Ruas considera "inoportunas e infelizes" declarações de Miguel Relvas

O presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses, Fernando Ruas, considerou esta sexta-feira "injustas, inoportunas e particularmente infelizes" as declarações do ministro-adjunto, Miguel Relvas, num momento em que decorrem negociações com o Governo sobre a reforma administrativa.

Miguel Relvas disse esta sexta-feira, em Braga, que tentar resolver os problemas do país com "velhas fórmulas e velhas receitas" é uma "atitude de grande esquizofrenia".

"Eu vi o que foi da parte da administração local ao longo deste ano. Tudo o que significa fazer alterações incomoda, gera inimigos. Porque também há uma atitude de grande esquizofrenia. Nós queremos sair do problema, mas queremos sair com as velhas fórmulas e velhas receitas. (...) Temos de fazer [as alterações], não por causa da 'troika', mas porque esse é o caminho certo, o caminho adequado", disse o ministro-adjunto e dos Assuntos Parlamentares.

A propósito destas declarações, o presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) e da Câmara de Viseu (PSD), Fernando Ruas, disse à agência Lusa "esperar que não prejudiquem a discussão que decorre e onde se procura resolver questões essências para as autarquias e para os cidadãos ".

Numa reunião mantida na quarta-feira passada entre a ANMP, o ministro Miguel Relvas e o ministro das Finanças, Vítor Gaspar, e que vai ter continuidade na próxima semana, como descreveu Ruas, "procura-se responder a questões como o pagamento das dívidas das autarquias superiores a 90 dias ou ainda evitar a rutura financeira devido à componente social".

Fernando Ruas sublinhou, em declarações à Lusa, estar "completamente em desacordo" com as afirmações de Miguel Relvas e frisou ter como desejo que estas "não prejudiquem a discussão que decorre" e que "não tenham sido proferidas em resultado da reunião da passada quarta-feira".

"São declarações que não ajudam nada nem me revejo nelas. Deve-se reformar o que está mal, mas não com imposições. Espero que não tenham a ver com a negociação que decorre", apontou Ruas.

Na Universidade do Minho, onde esteve para uma conferência dedicada à Reforma da Administração Financeira do Estado, Miguel Relvas disse ainda que a concretização de "profundas reformas na administração central e local" é outra das saídas para a crise.

Para Miguel Relvas, todos são a favor das mudanças, mas "só para o vizinho".