crise

Francisco Louçã diz que Merkel é uma "assaltante" e "terá resposta" na visita a Lisboa

Francisco Louçã diz que Merkel é uma "assaltante" e "terá resposta" na visita a Lisboa

O coordenador do BE afirmou, sexta-feira, que os portugueses são "credores da banca alemã" e que a chanceler Angela Merkel é "uma assaltante" e intermediária de "um negócio usurário" que terá uma "resposta" na sua visita a Lisboa.

"Quando Merkel diz que os países endividados a quem impuseram a dívida que faz mais dívida devem perder a soberania e, portanto, o direito dos seus parlamentos decidirem sobre os impostos, que é o fundamento do contrato da eleição, o povo só pode defender-se", declarou Francisco Louçã.

O coordenador do BE falava no encerramento de um comício internacional promovido pelo partido em Lisboa.

No seu discurso, o líder bloquista fez vários comentários irónicos à visita de Angela Merkel a Portugal na segunda-feira e vaticinou "que a Europa vai responder em Lisboa à visita da imperatriz e à imposição dos seus apoderados e dos seus valetes".

Louçã afirmou que hoje Portugal é "credor da banca alemã" e que Merkel é "uma intermediária de um negócio usurário, é uma assaltante e vangloria-se desse assalto".

"Quem toma emprestado a zero por cento e nos cobra a quatro são os agiotas", criticou.

"São Julião da Barra é um forte que foi construído para impedir os piratas de entrar no Tejo, quem é que imaginava que os piratas iam para dentro do Forte de São Julião da Barra, alguém imaginava? Se é para isso podia ter mandado um postal ilustrado", ironizou, provocando fortes aplausos das centenas de bloquistas presentes no Pavilhão do Casal Vistoso.

O líder do BE aludiu depois ao facto de o encontro de Merkel com o primeiro-ministro, Passos Coelho, acontecer numa fortificação militar, quando, por exemplo, o Presidente norte-americano Ronald Reagan discursou no parlamento quando visitou Portugal nos anos 80, perante vaias de deputados.

"Disseram-me que a senhora Merkel se vai encontrar com o Governo no Forte de São Julião da Barra, eu lembro-me que houve um Presidente norte-americano, e tanto protesto contra ele, que merecia muito bem, que veio a Portugal e chegou a falar perante o parlamento, com o protesto de muitos deputados que lá estavam, e ela está refugiada em São Julião da Barra", afirmou.

Louçã considerou, no entanto, que "há uma forma simpática de ver as coisas": "Enquanto Merkel está presa dentro do forte com Passos Coelho e Paulo Portas, a liberdade está nas ruas de Lisboa, e vamos fazer ouvir essa liberdade, essa é a liberdade da Europa, é a de quem luta por todos".

"É claro que Merkel tem uma virtude, e não me levem a mal por vos falar da virtude da Merkel, é que ela não esconde nada, cada dia que passa é mais violenta e mais arrogante", acrescentou.

No seu discurso, o coordenador bloquista apelou à união dos partidos da esquerda europeia, afirmando que existem hoje "dez milhões de eleitores" na Europa neste campo político.

"Se a vida serve para juntar, que se saiba e que se grite, há uma esquerda na Europa, há uma esquerda na Europa", afirmou.

"Há duzentos anos, quando Napoleão se sagrou imperador, Beethoven decidiu colocar em cima da sua secretária uma imagem de Brutus e rasgou uma dedicatória que tinha feito a Bonaparte da sua sinfonia "Eroica", hoje podemos perguntar onde estão os 'Beethovens' da Europa, dessa cultura insubmissa, dessa democracia irredutível, quem toma nas suas mãos a resposta, que povo é que se defende?", interrogou Louçã.