Política

Gaspar diz que Portugal quer seguir a Irlanda de perto

Gaspar diz que Portugal quer seguir a Irlanda de perto

O ministro das Finanças, Vítor Gaspar, afirmou, esta quinta-feira, em Dublin, que Portugal quer seguir de perto o exemplo da Irlanda no processo de regresso aos mercados e pretende emitir dívida a 10 anos.

Vítor Gaspar, que explicou o programa de ajustamento português num debate no Trinity College Dublin, uma universidade irlandesa, disse que Portugal enfrenta um conjunto de desafios, entre os quais compensar o impacto provocado pelo 'chumbo' do Tribunal Constitucional a quatro normas do Orçamento do Estado deste ano.

Entre os desafios que Portugal tem pela frente está também o regresso ao mercado de dívida, algo que, explicou o ministro, o governo está a fazer "quase em paralelo" com a Irlanda.

"Estamos a tentar seguir a Irlanda tão perto quanto possível", disse, acrescentando que pretende fazer uma emissão de dívida a 10 anos.

Vítor Gaspar afirmou ainda que Portugal precisa de investimento, de reduzir a despesa pública e sublinhou a importância de manter o consenso político e social.

Durante a sua intervenção, o ministro apresentou uma breve retrospetiva histórica da economia portuguesa.

De acordo com Vítor Gaspar, entre 1995 e 2008, a economia portuguesa acumulou desequilíbrios. Neste contexto, o ministro citou o economista Olivier Blanchard que, em 2007, afirmou que Portugal enfrentava "sérios problemas", entre os quais um défice orçamental elevado.

Mais tarde, entre 2008 e 2010, houve, segundo Vítor Gaspar, um erro na condução das medidas que foram concretizadas.

O ministro reiterou ainda que a primeira década de Portugal na zona euro foi caracterizada por um crescimento "anémico" e que, durante este período, a economia portuguesa acumulou um défice de competitividade.

Vítor Gaspar está em Dublin para participar nas reuniões informais do Eurogrupo (ministros das Finanças da zona euro) e Ecofin (ministros das Finanças da União Europeia), que decorrerão na sexta-feira e no sábado, durante as quais será discutido o pedido de extensão dos prazos de maturidade dos empréstimos português e irlandês.

Na terça-feira, a agência de notícias Reuters noticiou, citando um documento interno, que a troika (Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional) recomenda que Portugal consiga uma extensão de sete anos para o prazo de pagamento do empréstimo.