Política

Inédita assembleia une toda a Esquerda contra a austeridade

Inédita assembleia une toda a Esquerda contra a austeridade

O "inimigo histórico" já faz parte do passado. Ou, dito de outra forma, um inimigo comum - a troika e o Governo - fazem esquecer "sapos" engolidos há um quarto de século. É o que justifica a inédita adesão do PCP à iniciativa que visa "libertar Portugal da austeridade", promovida esta quinta-feira à noite em Lisboa, sob a égide de Mário Soares.

Mais do que a representação oficial dos comunistas, a cargo do eurodeputado João Ferreira, foi a presença de velhas figuras do PCP, como Domingos Abrantes e José Neto, que exprimiu a remoção de ressentimentos. Que permitem partilhar o mesmo espaço não apenas com o ex-presidente da República, mas também com antigos militantes comunistas, como João Semedo e outros dirigentes do Bloco.

Pela Aula Magna da Universidade de Lisboa, a abarrotar, passaram figuras de partidos de Esquerda - Ferro Rodrigues, Manuel Alegre, Silva Pereira, Maria João Rodrigues, Helena Pinto ou Daniel Oliveira, por exemplo. Além de dirigentes sindicais da UGT e da CGTP - que, foi ontem confirmado, se preparam para convocar uma greve conjunta da Função Pública em junho. E de militares de Abril, como Martins Guerreiro, Pezarat Correia ou Vasco Lourenço, um dos organizadores do Congresso Democrático das Alternativas, que não conseguiu seduzir o PCP.

No primeiro discurso do encontro, que ainda decorria à hora do fecho desta edição, Mário Soares dirigiu uma saudação aos "militares do MFA e outros mais independentes". E assestou baterias no Governo e no presidente da República. "Será o responsável pela perda de paciência e de pacifismo e que o povo se torne violento", diagnosticou, acerca de Cavaco Silva, o antigo líder do PS - oficialmente representado por Ramos Preto, um deputado de segunda linha.

Exigindo que o presidente - ouviram-se vaias quando o citou - abandone a atitude de "proteção" do Governo, que "não pode, nem deve, ser considerado legítimo", Soares invocou o "patriotismo" para alimentar a batalha. "Não podemos deixar que Portugal seja fanaticamente destruído e o seu património vendido a retalho".

Momento marcante foi a leitura de uma mensagem de Pacheco Pereira, ausente, mas concordante com o objetivo da sessão. Um "social-democrata a quem não caem os parentes na lama" por se alistar no combate à "inevitabilidade do empobrecimento, que mata a política e as suas escolhas".

Ao ler passagens da mensagem de Pacheco Pereira, Soares tratou-o por camarada. E aproveitou a deixa da alusão a Sá Carneiro para garantir que o líder histórico do PSD era "social-democrata a sério". E, tal como Pacheco, "não era de Direita".

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