dívida pública

Alberto João Jardim diz que tudo o que o Governo madeirense fez foi legal

Alberto João Jardim diz que tudo o que o Governo madeirense fez foi legal

O presidente do Governo Regional madeirense disse, esta terça-feira, no início do debate da moção de confiança ao seu executivo, que tudo o que fez foi legal, deixando críticas à "oposição medíocre". No início da sessão, houve troca de "presentes" - Alberto João Jardim recebeu um fato de presidiário e ofereceu a imagem de um burro.

O plenário da Assembleia da Madeira começou com uma troca de presentes entre o chefe do executivo madeirense e o deputado do Partido Trabalhista Português (PTP) José Manuel Coelho.

José Manuel Coelho tentou oferecer a Alberto João Jardim um fato de carnaval de presidiário, tendo o chefe do executivo retribuído com uma imagem de um burro numa pastagem. Coelho aceitou o presente, Jardim não.

"Tudo o que fizemos é legal", declarou Alberto João Jardim, na Assembleia Legislativa da Madeira, considerando que a atuação do Governo Regional tem sido "instrumentalizada para fins políticos" e que "não podemos ter uma justiça politizada". Esta moção de confiança, acrescentou, "é um apelo à mobilização" para lutar contra "a oposição medíocre que apoia a Madeira velha".

Os deputados da Assembleia Legislativa da Madeira votam uma moção de confiança apresentada pelo executivo regional, a primeira iniciativa suscitada para confirmar a "total confiança" do parlamento no executivo chefiado por Alberto João Jardim em mais de 30 anos de governação.

A iniciativa surgiu depois das notícias veiculadas pela RTP que o Departamento Central de Investigação e Ação Penal estava "a preparar uma acusação contra a totalidade do Governo Regional da Madeira por prevaricação", na sequência do inquérito sobre a alegada ocultação de dívida pública.

"Hoje vimos aqui com esta moção de confiança dizer que não podemos ficar como estamos, que esta moção de confiança é uma mobilização para arrasarmos, para continuarmos a defender as posições que temos defendido e procurar alterar o regime político defendido pelas bancadas da oposição, que colocou o país no estado em que estamos", disse hoje Alberto João Jardim.

Jardim, acompanhado no plenário por todos os membros do Governo Regional, sustentou que esta moção é ainda para "dar confiança para ajudar os portugueses a fazerem as mudanças que se impõem no país".

O líder madeirense acrescentou que a proposta é também "contra os órgãos de Estado que hipocritamente fizeram uma Constituição e um estatuto político, mas que não respeitam e vêm com interpretações restritivas contra o povo madeirense, usam organismos do Estado central para impedir os legítimos direitos do povo madeirense".

"Esta moção é para acusar, para mobilizar contra este género de coisas", frisou o líder insular.

O governante censurou ainda os deputados que "procuram desrespeitar o parlamento", considerando que "estão também a desrespeitar a autonomia", e falou igualmente contra os "grupos de pressão", que estão por detrás dos partidos, que classifica de "poderes ocultos".

"Não queremos portugueses sobrecarregados com impostos, não queremos os madeirenses a serem objeto de medidas académicas que estão erradas", argumentou, assegurando: "Estamos preparados para intensificar a luta contra o sistema político."

As galerias do parlamento estão ocupadas com alunos do curso de Economia da Escola Profissional do Atlântico, tendo os serviços do parlamento informado que esta visita estava agendada em reunião de líderes. Esta situação impediu que alguns populares assistissem à sessão.

No exterior, um grupo de manifestantes gritava que "está na hora do Governo ir embora", enquanto elementos da Juventude Social Democrata-Madeira diziam palavras de ordem de apoio a Jardim.

No texto da moção, o executivo madeirense solicita ao parlamento da Madeira a sua "total" confiança para "seguir a linha de rumo que traçou e vem seguindo, de acordo com o programa de Governo aprovado nesta Assembleia".