Política

Carvalho da Silva desafiado a ser presidente da República

Carvalho da Silva desafiado a ser presidente da República

O secretário-geral da Intersindical, Carvalho da Silva, foi ontem convidado a candidatar-se à Presidência da República. A iniciativa partiu do presidente do Sindicato dos Funcionários Judiciais, durante o VI Congresso que ontem terminou em Albufeira.

Carvalho da Silva chegou ao Congresso no sábado de manhã e, depois de uma intervenção em que enalteceu o papel dos trabalhadores, frisou que seria a última vez que estaria no Congresso, numa alusão ao facto de deixar a Intersindical em Janeiro do próximo ano.

O presidente do Sindicato dos Funcionários Judiciais, Fernando Jorge, prestou-lhe homenagem e manifestou o desejo de que da próxima vez que Carvalho da Silva viesse ao Congresso "fosse já como presidente da República", o que arrancou os aplausos de todo o Congresso.

O nome de Carvalho da Silva chegou a ser falado nas anteriores eleições, mas a discussão não passou dos bastidores. Agora Carvalho da Silva volta a ser falado, mas pela primeira vez publicamente e, logo, por um sindicato com tanto peso, num Congresso onde ainda na sexta-feira esteve presente a ministra da Justiça, que anunciou várias medidas para o sector.

Fernando Jorge justificou ao JN o desafio pelo facto de a presença de Carvalho da Silva ter sido uma despedida aos Funcionários Judiciais, tendo em conta a saída do cargo de secretário-geral da Intersindical em Janeiro.

Mas, por outro lado, Fernando Jorge entende que "Carvalho da Silva é a figura da esquerda que mais consenso reúne para a candidatura à Presidência da República. Carvalho da Silva é um factor de união da esquerda".

O presidente do sindicato frisou, no entanto, que esta não é apenas a sua opinião, "na minha actividade sindical, política e autárquica, nos muitos contactos que faço, vejo que Carvalho da Silva é uma solução natural da esquerda".

Outros congressistas ouvidos pelo JN manifestaram a mesma opinião, mas é também sabido que o ainda secretário-geral da Intersindical é um nome igualmente respeitado em muitos sectores da direita. E ainda agora, durante a greve geral, as posições de Cavalho da Silva foram mais uma vez notadas.

Confrontado pelo JN com o desafio, Carvalho da Silva não quis comentar. "Desculpe, mas tem que perguntar ao Fernando Jorge porque é que ele disse isso, não a mim". Quanto à possibilidade da candidatura, o ainda secretário-geral da Inter frisou: "Não penso nessa possibilidade nem nunca pensei". E referiu não poder continuar a falar devido a rouquidão.