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Cavaco Silva confrontado com a crise na viticultura duriense

Cavaco Silva confrontado com a crise na viticultura duriense

O presidente da República, Cavaco Silva, foi confrontado, este sábado, em Alijó, por um pedido de "ajuda, influência e esforço" para resolver a crise que afeta os pequenos e médios viticultores da Região Demarcada do Douro.

"Eu registei tudo aquilo que disse na sua intervenção senhor presidente da câmara e levarei com muito interesse o documento que me entregou e farei chegar ao poder executivo", salientou o Chefe de Estado.

Cavaco Silva deixou esta garantia ao presidente da Câmara de Alijó e da Comunidade Intermunicipal do Douro (CIM Douro), Artur Cascarejo, que lhe entregou um documento que aborda os problemas e propostas de soluções para ultrapassar a crise que afeta a viticultura duriense.

"Não queremos ser responsáveis pela agonia lenta da nossa região e, por isso, pedimos-lhe a sua ajuda, a sua influência e o seu esforço, porque sabemos que também se preocupa muito com estas matérias e sabemos que não acredita no futuro deste país apenas numa lógica de austeridade", afirmou o autarca.

Artur Cascarejo salientou que o documento, sobre o qual não quis revelar o conteúdo, representa um "grito de alerta" da Região Demarcada do Douro (RDD) em defesa dos seus pequenos e médios produtores.

Os viticultores queixam-se de uma quebra nos rendimentos, consequência dos baixos preços de venda dos vinhos e da redução do benefício, a quantidade de vinho do Porto que cada um pode produzir.

No seu discurso, o presidente da República quis destacar a parte social, o poio prestado pelas misericórdias às famílias, aos idosos, e deixou um apelo à solidariedade.

Antes, à chegada a Alijó, o Chefe de Estado foi recebido por um grupo de jovens que gritavam palavras de ordem contra a construção da Barragem de Foz Tua.

Cantando "Cavaco coragem, mais uma barragem" e empunhando uma tarja onde se podia ler "rios + betão", os oito jovens quiseram alertar para o que dizem ser a destruição do vale e a linha do Tua.

Cavaco passou ao lado, mas não parou, seguindo para dar início à visita ao concelho de Alijo.

Um dos jovens que aguardavam Cavaco Silva, Tiago Carvalho, chegou ao Tua, na quinta-feira, proveniente de Lisboa, para se juntar aos campistas que há uma semana estão junto ao rio, num acampamento de protesto contra o empreendimento da EDP.

Lá em baixo, junto ao local onde esta a ser construída a barragem, algumas dezenas de pessoas manifestaram esta tarde a sua oposição, enquanto em cima, em Alijó, apenas oito alertavam para as consequências negativas do empreendimento.

Depois de ser recebido nos Paços do Concelho, onde discursou, o presidente da República seguiu a pé para ir visitar a Unidade de Cuidados de Continuados da Santa Casa da Misericórdia Local.

À chegada foi confrontado com mais uma tarja onde estava escrito "obrigada Sócrates pelo que fizeste por Alijó".

O antigo primeiro-ministro é natural deste concelho e foi ele que inaugurou tanto a unidade de cuidados continuados como o centro de saúde, visitado também pelo presidente da República.

Cavaco Silva conclui este sábado uma visita de dois dias a Trás-os-Montes e Alto Douro. Durante amanhã esteve em Mirandela e, depois de Alijó, segue para Sabrosa.