Política

Centrista Pires de Lima diz que não lhe "passa pela cabeça" ser convidado para o Governo

Centrista Pires de Lima diz que não lhe "passa pela cabeça" ser convidado para o Governo

O presidente do conselho nacional do CDS-PP, Pires de Lima, afirmou, quarta-feira à noite, que não lhe "passa pela cabeça" ser convidado para o Governo, admitindo mudanças na "orgânica" do executivo, que já tem uma "quota" dos democratas-cristãos "bem preenchida".

Numa entrevista à RTP1, o também gestor da Unicer, defendeu ainda que a privatização parcial da Caixa Geral de Depósitos deve ser "discutida" e que "talvez seja benéfico para o país", dadas as "interferências políticas" que a gestão do banco público sofreu nos últimos dez anos.

"Não me passa pela cabeça ser convidado para este Governo, acho que a quota do CDS está muito bem preenchida com os três ministros que temos. O CDS teve a força que teve nas últimas eleições e, portanto, não é minimamente pensável que possa acumular à pasta dos Negócios Estrangeiros uma pasta como a da Economia", afirmou Pires de Lima.

O presidente do conselho nacional do CDS-PP sublinhou que o seu compromisso com a empresa cuja gestão lidera impede-o "totalmente de andar a fazer conceções ou teorizações" sobre a possibilidade de aceitar ser ministro do Governo.

Para Pires de Lima, "o problema da economia portuguesa não se resolve substituindo o ministro da Economia", considerando que Álvaro Santos Pereira tem tido, "atendendo às condicionantes e a este regime de 'troika' dura", um "comportamento e um papel bastante meritório".

António Pires de Lima considerou que, "mais do que discutir pessoas", há "uma orgânica do Governo que talvez valha a pena ser ponderada", porque "há ministros que têm pastas que convidam excessivamente à dispersão e que depois acabam por ser suplementados ou complementados com a tarefa de outros ministros que têm pastas mais vagas, como é o caso do ministro-adjunto", Miguel Relvas.

"Há o complemento de algumas funções ou de algumas pessoas que, não sendo ministros, acabam por desempenhar um papel que parece determinante na própria atuação do Governo", apontou igualmente.

Por outro lado, Pires de Lima defendeu que o Governo, no "excesso de zelo de eficácia, não tem às vezes acautelado a componente política e de explicação política daquilo que está a fazer" e que "seria importante ter alguém no Governo junto do primeiro-ministro que pudesse dar uma perspetiva e ajudar o Governo a pensar uma perspetiva de Portugal para além da troika, para além de 2014".

Questionado sobre a hipótese de uma privatização parcial da Caixa Geral de Depósitos, Pires de Lima respondeu que "esse é um tema que vale a pena ser discutido".

"No passado, eu - e estou a falar em nome pessoal - sempre defendi que era importante para o Estado manter na sua órbita um banco público e mantenho essa opinião, mas a experiencia de gestão da Caixa Geral de Depósitos nos últimos dez anos, com consecutivas interferências do poder político na sua gestão, faz-me pensar que talvez não seja uma ideia desprezável", sustentou.

Assim, apontou, "deve pelo menos ser discutida, a hipótese de a Caixa Geral de Depósitos poder parcialmente, e sempre numa minoria do seu capital, ser eventualmente privatizada".

"Se isso ajudar a que a Caixa Geral de Depósitos seja gerida de uma forma mais racional e com menores cumplicidades políticas, eu acho que isso talvez fosse benéfico para o país", defendeu.